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Caldas / Cultura, Caldas da Rainha
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Pintura espírita na Expoeste

20-02-2009 |

Pintura espírita na Expoeste
Pintura espírita na Expoeste
"É a manifestação dos espíritos, provando mais uma vez que há vida após a morte" O médium brasileiro Florêncio Reverendo Anton Neto faz das suas mãos um instrumento de trabalho para que pintores famosos no passado possam continuar a trazer beleza e cor imprimindo os seus pensamentos sobre tela. Sem nunca ter estudado pintura e sem ter aptidões plásticas, tendo chumbado sempre na disciplina de desenho quando frequentava o Ensino Básico, o brasileiro esteve na passada sexta-feira no auditório da Expoeste a executar, em transe, com os olhos fechados, em poucos minutos, quadros com tinta de óleo. Usando não só os pincéis mas as mãos, o médium aplica estilos de artistas conhecidos falecidos como Rembrandt, Picasso, Renoir, Van Gogh, Monet, Boudin, Da Vinci ou Malhoa. A tinta de óleo demora dias a secar, mas Florêncio Anton aplica camadas sobre camadas sem que as cores se misturem. A veracidade de seu trabalho já foi reconhecida por críticos de arte, que consideram que o estilo e as cores são características desses mesmos pintores. "É a manifestação dos espíritos, provando mais uma vez que há vida após a morte, por meio da arte, com a finalidade, entre outras, de curar males do corpo e da alma e de transmitir energias positivas", disse Florêncio Neto, acrescentando que a mensagem que esses espíritos querem transmitir é da "imortalidade da alma que culmina com uma verdadeira mensagem de consolação e esperança". No auditório da Expoeste, perante uma assistência de 200 pessoas, o médium espírita pintou, durante duas horas e meia, 12 telas, dizendo-se "comandado" por diversos pintores falecidos. Cada tela levou cerca de 5 a 10 minutos a executar e assinou os quadros com os nomes de Picasso, Renoir, Van Gogh, Monet, entre outros. A sessão começou com música clássica "para abafar o ruído das pessoas e como elemento de harmonização". Florêncio Anton garante que não regista nada daquilo que é executado, visto que pinta num estado de transe. "Eu fecho os olhos e fico num estado de meditação, em transe. A partir daí uma série de sintomatologias são deflagradas. Vou perdendo o controlo dos meus movimentos e entro num estado que a psicologia chama de estado hipnogógico, um estado entre a vigília e o sono, sendo que não consigo registar aquilo que está a ser executado. Permaneço lúcido durante toda a sessão, mas perco a noção do tempo e do espaço e só depois do transe é que travo contacto com as obras feitas e o resultado final é surpreendente", explicou o espírita, acrescentando que "no final de cada sessão, quando são verificadas as telas pintadas, constata-se que estão ali desenhadas figuras com uma qualidade muito superior às de um jovem sem qualquer conhecimento de arte". Outra das características reveladas é a ausência da mistura de cores. "Isso acontece por conta de uma energia que se chama ectoplasma e que faz com que os espíritos manipulem a matéria de modo a sensibilizar os nossos sentidos humanos, daí que provoquem uma impermeabilização das camadas de tinta, saem com a mão suja de amarelo, colocam azul em cima de tela e não fica verde", apontou. No final da sessão, as obras produzidas foram todas vendidas. Como havia vários compradores para a mesma obra, cada tela foi objecto de um sorteio pelo público, que se candidatou a adquirir uma por cento e vinte euros. Para o médium espírita, as pessoas compram os quadros porque consideram que "têm uma semelhança muito grande com aqueles que assinam e também por uma questão de solidariedade em função da obra social que nós mantemos na cidade de Salvador". Florêncio Anton fundou, em 1999, com os recursos provenientes da venda das telas, o Grupo Espírita Scheilla, que oferece, para além de actividades no âmbito da divulgação espírita, actividades de assistência social aos menos favorecidos da comunidade de Mussurunga, bairro popular de Salvador onde se situa. Para Florêncio Anton, o facto de as obras reverterem para caridade constitui uma verdadeira recompensa, pois o seu dom "permite ajudar quem mais precisa". O médium brasileiro desde tenra idade estabelece contacto com os Espíritos. Tem-se destacado na área da pintura mediúnica desde 1990, com uma produção de cerca de vinte mil telas pintadas por mais de 60 espíritos pintores. Já fez demonstrações públicas em vários estados brasileiros, levando também esta mensagem para a Itália, Suíça, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Portugal. Numa das suas deslocações ao nosso país teve a oportunidade de ser convidado por especialistas de arte que, após o trabalho realizado, afirmaram ser humanamente impossível desenvolver de olhos abertos o que ele fizera com olhos fechados. Esta sessão de espírita de pintura mediúnica foi organizada pelo Centro de Cultura Espírita das Caldas da Rainha. Marlene Sousa
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