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Zé do Pipo desapareceu há um ano e tese de suicídio é mais forte

Foi a 5 de novembro do ano passado que o cantor Nuno Batista, o artista que fez sucesso como Zé do Pipo, desapareceu, julgando-se que se possa ter atirado à água na praia do Porto da Areia Sul, em Peniche, onde o seu carro foi encontrado com a carteira, telemóvel e casaco no interior. Embora outras hipóteses, nomeadamente crime ou queda acidental, tenham sido investigadas, tudo aponta para o suicídio, o que a família admite com maior abertura, um ano depois. Mas não há conclusões definitivas.

06-11-2019 | francisco Gomes

Zé do Pipo (Nuno Batista) e bailarinas
Zé do Pipo (Nuno Batista) e bailarinas
O cantor, de 40 anos, natural das Caldas da Rainha e residente no Vau, em Óbidos, passava por uma fase depressiva, após ter sido informado pelos médicos de que teria de terminar a carreira musical por sofrer de uma doença bipolar e ter episódios hipomaníacos, agravado pela sua vida ativa em cima dos palcos. Devido ao estado de saúde tinha cancelado sete espetáculos (três na Suíça, dois no Luxemburgo, um na Alemanha e outro em Portugal) e tinha já acertado com o seu empresário que não vestiria mais a pele de Zé do Pipo e que seria substituído, o que poderá estar na base do seu desaparecimento.
Na tarde de 5 de novembro tinha dito que ia à farmácia comprar medicamentos e ao banco em Óbidos, mas a mulher estranhou a demora e comunicou à GNR, alarmada com a depressão do cantor, que já teria confessado a um psiquiatra que se poderia atirar ao mar.
Em redor da praia do Porto da Areia Sul, em Peniche, onde o carro do cantor foi descoberto, foram desenvolvidas buscas para encontrar Nuno Batista.
Foram mobilizados meios de busca terrestres e marítimos envolvendo bombeiros e Instituto de Socorros a Náufragos, para além de dois drones da Polícia Marítima e da PSP, que também compareceu com equipas cinotécnicas. Os cães foram utilizados para pesquisar uma área densa de caniços. Elementos da Polícia Judiciária estiveram igualmente presentes. Posteriormente mergulhadores da Polícia Marítima verificaram se estaria preso no fundo do mar ou em rochas.
As buscas foram infrutíferas. Pode ter caído ao mar ou até ter desaparecido em terra. A falta de certezas condicionou as buscas.
Familiares, amigos e fãs ficaram chocados. “Ele era muito divertido no palco e apesar de mais reservado na vida pessoal nunca pensei que pudesse acontecer uma coisa destas”, contou, consternada, Quitéria Guincho, familiar do cantor. Ana Lúcia, que trabalhou com ele antes de Nuno Batista iniciar a carreira musical, mostrava-se “espantada e esperançosa que não se confirme o cenário traçado”.
Mas a esposa do artista desaparecido, Celeste Batista, findas as buscas, considerou tratar-se de “um capítulo encerrado”, pretendendo seguir em frente com a sua vida e não ficar à espera que o corpo apareça, o que ao longo de um ano não aconteceu.
“Quero esquecer. É um assunto que já não tem novidades e nem espero vir a ter. Era bom que houvesse um corpo, só que não acredito nisso e nem estou à espera que isso aconteça. Não tenho expetativas, senão fico maluca e não posso ficar doente como ele ficou”, declarou Celeste Batista alguns meses após o desaparecimento.
“O telemóvel estava desligado, mas às 00h02 do dia 6 recebi a mensagem automática a dizer que o número estava novamente disponível”, recordou ao JORNAL DAS CALDAS Celeste Batista, que nunca conseguiu falar com marido e que ficou surpreendida com a sua deslocação a Peniche.
“Estou a aguardar. Não sei se vai ser declarada alguma coisa [morte presumida]”, confessou Celeste Roberto, casada com o cantor desde 1996 e com dois filhos, atualmente com quatro e dezassete anos.
Boatos surgiram de uma eventual fuga do Zé do Pipo com uma das suas bailarinas ou que o cantor estava a passar por dificuldades financeiras, o que foi sempre desmentido pela família, que, chocada, lamentou a divulgação desses rumores.
Como possibilidade abstrata foi considerada pelo Ministério Público a eventual prática dos crimes de homicídio, de rapto ou de sequestro.
O desaparecimento está ainda sob investigação da Polícia Marítima e segundo a lei, só passados dez anos é que pode ser declarada a morte presumida. Até lá Celeste Batista não pode vender os bens que pertençam ao casal ou estejam no nome do cantor.
Carlos Batista, pai do artista, residente em Peniche, está mais conformado de que tenha sido suicídio, não tendo esperança de que o filho apareça vivo.
A praia do Porto da Areia Sul era onde o cantor costumava ir com a mãe quando era pequeno. Foi aí que aprendeu a nadar.

Fama permitiu lançamento de outros produtos

Ao longo de nove anos e até 11 de outubro do ano passado, data do seu último concerto, Nuno Batista desempenhou a personagem Zé do Pipo, mas os fãs desconheciam que não iria continuar, porque não tinha havido ainda um anúncio oficial.
O conceito principal deste projeto artístico era a fusão entre a música portuguesa e a comédia, fazendo com que o produto final fosse o entretenimento.
Para além de um grande número de concertos no país e no estrangeiro, apresenta na discografia nove álbuns e um dvd gravado no Tivoli.
Em 2018 lançou licores de ginja e de chocolate e pastéis com o seu nome. Tratou-se de uma parceria com a Chocolicor, instalada nas Caldas da Rainha, para licores, e com a Casa Nicolau, do concelho do Cadaval, para vinho tinto e vinho branco moscatel. Procurou-se capitalizar a imagem de Zé do Pipo, aproveitando a fama já alcançada na música.
Explorava ainda um projeto de alojamento local (Pipo People House, projeto familiar com o seu nome artístico criado em 2014 no Vau)
O boné, o bigode e os óculos escuros eram as suas caraterísticas. “Malandreco, enérgico e divertido”, era assim que se considerava Zé do Pipo, que acompanhado das suas quatro bailarinas sensuais teve um grande sucesso com a chancela da editora País Real, de Paquito Rebelo.
Nuno Batista iniciou a carreira musical em meados dos anos 90. Projeto 5, Palhaço Taranta, Nuno e Celi (com a esposa Celeste) e Turma Musical, foram os projetos em que esteve envolvido. A esposa também chegou a fazer parte do projeto Zé do Pipo, saindo na altura em que teve o segundo filho.

Manel do Barril substitui Zé do Pipo

O cantor que em abril deste ano substituiu Zé do Pipo assumiu ter pela frente a grande responsabilidade de dar continuidade ao sucesso obtido ao longo de nove anos.
Manel do Barril falou ao JORNAL DAS CALDAS no lançamento do seu primeiro cd, em cerimónia realizada no na Quinta do Sanguinhal, no Bombarral.
A nova figura foi escolhida após um casting com dez cantores. No dia da apresentação do seu primeiro cd, o sucessor de Zé do Pipo disse que “é uma grande herança até porque o Zé do Pipo era um grande nome no nível da música brejeira. Eu antes de ser Manel do Barril já era fã do Zé do Pipo, então para mim é uma grande honra dar continuidade a um projeto já de sucesso”.
Admitiu, contudo, que nem todos aceitem que dê continuidade ao projeto. “É normal que haja sempre quem goste ou quem não goste”, referiu o cantor, que desde os doze anos anima bailes e festas.
Manel do Barril acha que não desrespeita a imagem de Zé do Pipo, apesar de se apresentar quase igual ao cantor desaparecido, só mudando a cor da habitual roupa. No seu primeiro cd, oito das dez músicas foram escritas pela esposa do cantor desaparecido. São letras marotas adequadas ao estilo brejeiro-erótico, com grande parte do espetáculo a residir nas quatro bailarinas, as mesmas de Zé do Pipo.
“Nós somos parte integrante no espetáculo visto que damos vida às letras. Temos uma vertente teatral e focamo-nos na diversão do público. O nosso povo tem uma forte aptidão para tudo o que é brejeiro, para brincadeira das letras que têm dois sentidos na interpretação”, relatou Marisa, uma das bailarinas, a par de Xinesa, Lília e Kawani.
A bailarina não se coibiu de falar de Zé do Pipo e dos desafios com Manel do Barril. “A responsabilidade é acrescida por sabermos que é um projeto de sucesso e o carinho que temos sentido do público e as mensagens de apoio para continuarmos, para não desistirmos. Não vamos aparentar em todos os espetáculos mas é normal que o antigo projeto esteja no nosso pensamento e não nos esquecemos de onde começou. O nosso objetivo comum é levar alegria a todas as terras de norte a sul do país e às comunidades no estrangeiro, e divertir o público com as nossas brincadeiras e boa disposição, porque realmente a vida continua e é nisso que temos que nos focar. No fundo é dar continuidade a um projeto vencedor. Sentimos essa responsabilidade com uma pessoa diferente mas o conteúdo do espetáculo é o mesmo”, comentou Marisa.
“Ponho o pau na ginja dela” é o título do primeiro álbum de Manel do Barril, que apresentou também a sua própria marca de vinho tinto e vinho branco (da Adega Cooperativa do Cadaval), e de licor de chocolate e licor de ginja (da Chocolicor, das Caldas da Rainha), para além de "Pastéis à Manel do Barril" (fabrico especial da pastelaria Roma, de Peniche).
O empresário Luís Martins, do Moinho da Música, que geria a carreira de Zé do Pipo e que agora coordena Manel do Barril, explicou que “por grande respeito resolvi mudar o nome do projeto. Sei que haverá algumas pessoas a não entender muito bem a situação, mas temos que seguir o caminho que ficou”, revelando ter o apoio da esposa do cantor desaparecido.
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