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Caldas / Sociedade, Óbidos
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Usseira celebra dia da Padroeira Santa Luzia

A 13 de dezembro a Igreja Católica em Portugal celebra o dia litúrgico de Santa Luzia. Ainda muito jovem, Luzia deu a sua vida por Cristo nos primeiros anos do século IV. Padroeira da freguesia de Usseira, concelho de Óbidos, a Virgem e Mártir, protetora dos olhos e da visão do coração é recordada anualmente com fé e devoção. Este ano, embora festejada a uma sexta-feira, os cristãos da comunidade local participaram em grande número na Eucaristia solene, presidida pela primeira vez, pelo coadjutor padre Paulo Pires. Integrado no programa do evento Óbidos Vila Natal, a festa da santa padroeira celebrada na Igreja de Santa Luzia, contou ainda com um concerto de harpa e voz interpretado por Helena Madeira.

17-12-2013 | João Polónia

Celebração eucarística
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Celebração eucarística
Após a celebração eucarística, algumas jovens vestidas de branco, transportando velas acesas, conduziram os fiéis para o adro da igreja, convidando-os a reavivar a história de Santa Luzia. Junto da fogueira, os cristãos entoaram cânticos em louvor à santa padroeira recordando a marcha “Linda a Usseira”, trauteada pela população sénior da aldeia. O concerto intimista, com duração de quase uma hora, proporcionou aos habitantes uma viagem instrumental, marcada por uma voz melodiosa e doce. A cantora Helena Madeira brindou a população local, com a recitação do cântico lírico “Santa Lucia”.
Na noite de 12 para 13 de dezembro, os habitantes da Usseira concretizaram a tradição do “Bodo de Santa Luzia”. Em redor da fogueira, a população local conviveu desfrutando de uma ceia de carne grelhada, sardinha assada, pão e vinho, sem qualquer custo. A localidade reúne nestes festejos, diferentes vertentes de uma tradição que assimila o descanso da terra à disponibilidade dos homens para a festa, juntamente às festividades do Solstício de inverno.
O coadjutor da comunidade interparoquial de Óbidos, padre Paulo Pires explicou ao JORNAL DAS CALDAS, de que modo é que a vida de Santa Luzia se torna um exemplo de fé para os cristãos de hoje. Segundo o sacerdote, para todos os crentes, “um mártir é sempre uma forte interpelação para a nossa vida cristã, porque aquilo que se realizou na vida do Senhor Jesus em obediência ao Pai, concretiza-se também na vida dos mártires por fidelidade ao Senhor”. Desde dos primeiros tempos os cristãos sempre veneraram os túmulos dos mártires com “especial cuidado e carinho”, não só por serem “testemunhas de fé”, mas igualmente “por se tornarem nos mais perfeitos imitadores da morte do Senhor”, certificou o jovem presbítero.
“Viver e celebrar a mártir Santa Luzia neste tempo de preparação para o Natal é hoje um convite para aprofundarmos aquilo que é o Advento: a nossa vida como tempo preparatório para o encontro definitivo com o Senhor”, revelou o sacerdote Paulo Pires interpelando os cristãos a seguir os passos da santa protetora, “com o martírio de cada dia, com o nosso arrependimento e contrição, com as nossas obras de misericórdia, e a partir delas procurar imitar o Senhor através da Sua palavra e vontade”.
A presença da vereadora da Câmara Municipal de Óbidos, Celeste Afonso, veio reafirmar o valor da identidade das tradições e festividades locais. A autarca agradeceu aos habitantes da freguesia de Usseira, por manterem e concretizarem a tradição do “bodo de Santa Luzia”, na própria noite, mesmo quando coincide num dia de semana, e disse que o gesto simboliza “a perseverança que nos faz avançar, que nos faz olhar para nós, para as nossas memórias, com o desejo de as potenciar”. Celeste Afonso sublinhou que “as nossas festas” contam também histórias para outros, “para aqueles que vêm ao Óbidos Vila Natal e que poderiam contemplar aqui um concerto intimista lindíssimo”.
“Depois de uma noite de folia, ontem à volta da fogueira, hoje é o dia de recolhimento. A noite de ontem foi a noite mais longa do ano, hoje inicia-se a luz. O dia de Santa Luzia é a oferta da luz, e vem trazer-nos hoje essa luz que é paz, que é harmonia, serenidade e conhecimento”, certificou a vereadora do Município de Óbidos, visivelmente emocionada pela obra musical interpretada na igreja da santa padroeira.
Rosária Póvoa, natural de Usseira contou ao JORNAL DAS CALDAS a lenda que deu nome à localidade, a respetiva tradição e recordou a sua participação nos festejos de Santa Luzia, há 70 anos atrás. Segundo a habitante, antigamente, a aldeia embora já ter algumas casas dispersas pela serra predominava a pedra e urzes. Foi graças ao nome da espécie botânica encontrada em abundância, que a povoação deu origem a Usseira. Rosária Póvoa recorda o urzal junto à sua residência, no qual existia uma grande oliveira no centro. Certo dia, “um pastor pastava as suas ovelhas e ao parar para descansar, apercebeu-se que existia uma cova na árvore, colocou a mão e encontrou uma medalhinha com o nome de Santa Luzia”.
Na altura, o regedor mandou construir um templo em homenagem à santa padroeira. Os poucos ocupantes locais “juntaram-se, deram o seu contributo e fez-se uma capelinha pequenina”, que a partir da mesma deu origem à igreja, ampliando o espaço existente, posteriormente. Com a evolução dos tempos, a Usseira começou a expandir-se, com grande esforço devido à remoção das pedras e devastação do arvoredo, e surgiu a primeira estrada empedrada por iniciativa de um habitante.
A tradição da fogueira na Usseira vai ao encontro da história de Santa Luzia, que devido à sua fidelidade a Cristo com o grande testemunho de fé, consagrou a sua vida a Deus, recusando casar contra a vontade de seus pais, mantendo a sua virgindade. “Luzia era uma mulher tão boa e tão santa, que quando lançada para a fogueira, disse que quando tivesse quase a morrer, e os seus olhos vissem, tirassem-nos imediatamente para dar a um cego”, revelou Rosária Póvoa explicando que foi por esse mesmo motivo, considerada a advogada da vista, apresentando-se na sua imagem com os seus olhos num prato.
Residente no adro da igreja, há mais de 70 anos, mesmo em frente ao círculo térreo, local próprio da fogueira de Santa Luzia, a habitante exprimiu ao JORNAL DAS CALDAS o sentimento feliz, de grande alegria, por ver cada vez mais pessoas na localidade, e enalteceu o esforço e a dedicação da parte da população local, na conservação da igreja e restauro dos santos protetores. Na sua opinião devem existir mais atividades ligadas à festividade, para promover a importância das raízes culturais da freguesia.

João Polónia
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