Olhar JSD
Redes sociais, politicamente falando
Fazemos parte de uma geração que foi “embalada” pela internet. Nos seus primórdios pouco se podia fazer, mas hoje é bem diferente.
02-03-2018 |
André Cardeal dos Santos, Secretário-geral JSD Caldas da Rainha
Não precisamos de muito para recorrer a esta genial ferramenta e arrisco até a dizer que só para dormir é que não a utilizamos. Dentro deste admirável mundo novo temos de tudo, mas foquemo-nos nas redes sociais. Hoje somos escravos das redes sociais. Acordamos e até mesmo antes de tomar o pequeno almoço já sabemos tudo o que aconteceu, isto apenas com um par de toques no ecrã do telemóvel.
As redes sociais tornam a comunicação mais fácil e a informação é muito mais acessível, o que é ótimo! Hoje é possível comunicarmos com familiares e amigos que estão longe, matando a saudade que antigamente apenas com carta era possível. Mas, e a informação? É aqui que começam os perigos das redes sociais.
Quando consultamos informação nas redes sociais devemos de ir para além do título, que muitas vezes é somente clickbaiting, e perceber o que realmente é a notícia. Hoje as Fake News são uma realidade e ameaçam diretamente a democracia. Recordemo-nos das eleições dos Estados Unidos, onde foi eleito o 45º presidente, Donald Trump. Estas eleições foram marcadas pelas guerras virtuais ao longo da campanha. As redes sociais são muitas vezes intituladas de “salas de eco”, onde uma publicação, num curto espaço de tempo chega a milhares de milhões de pessoas. E muitas vezes não é sequer relevante. As redes sociais têm esta dimensão de tornar importante o que não interessa, e de cobrir a verdadeira informação.
Isto gera-nos um outro problema: um simples ato de participação política pode tornar-se facilmente num movimento (de apoio ou de refuta). Com o efeito bola-de-neve das redes sociais, de um momento para o outro a tal simples publicação serve de base para uma mobilização de grande escala. Mensagens de acusações, de mentiras, de apelos, entre muitas outras, podem tornar-se um motivo para atos irrefletidos, na convicção de que são apoiados. É assim que por vezes, sem saber muito bem de onde, surgem partidos, e a isto denomina-se Populismo.
O trabalho está facilitado para os interlocutores. As redes sociais fornecem informações sobre os utilizadores, o que lhes permite orientar a mensagem para um público específico. Vejamos o exemplo do ISIS, que utilizava e utiliza as redes sociais como o Facebook, Twitter ou Youtube como maior plataforma de recrutamento para o exército Jihad, indo especificamente aos perfis por eles traçados e espalhar as suas campanhas.
Estas mobilizações envolvem um grande número de pessoas, onde muitas são meramente perfis falsos que aumentam o apoio aos movimentos. Esta grande dimensão faz as pessoas acreditar no verdadeiro valor da causa podendo incentivar à adesão, justificando a viabilidade e o sentido pelo número de membros.
A falta (e dificuldade) de legalização e dimensão do mundo da Internet torna tudo isto possível e fácil.
A democracia sai fragilizada desta situação e a sociedade torna-se instável. Assuntos de real importância passam para segundo plano enquanto que temas quase absurdos ocupam tempo de antena na vida social. Não é fácil fazer-se política nestes modos.
A descredibilização de que hoje a política é alvo baseia-se muito no crescer destas redes e em desinformação que por estas é divulgada. Por vezes são os próprios agentes políticos que querem chegar ao maior número de cidadãos e que acabam por danificar a própria imagem e a classe política.
A sociedade tem de estar protegida e de proteger-se destes riscos. A necessidade de legalizar os novos meios de comunicação é imediata e caso isso não aconteça, a longo prazo, corremos o risco de deitar por terra a Democracia, e a curto prazo, a deixar movimentos populistas chegarem ao poder.
O Estado e as empresas terão de proteger os cidadãos, mas a sociedade tem de procurar essa proteção por si, para estabilidade e segurança própria.
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