Qualificação e rendimento dos trabalhadores no turismo precisam de ser valorizados
Uma maior valorização dos trabalhadores qualificados e capacidade de inovar os produtos que "vendem" ao turista irá levar a que os empresários tenham mais procura e mais rentabilidade, e assim permitir que os trabalhadores consigam salários mais dignos. Esta foi a tese “unânime” defendida pelo painel de oradores, na sessão de esclarecimento sobre o tema “Dificuldade na Contratação de pessoas”, que se realizou na passada quarta-feira, no auditório da Casa da Música, em Óbidos.
23-11-2017 |
Mariana Martinho
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| A sessão decorreu no auditório da Casa da Música, em Óbidos |
A sessão organizada pela Óbidos.Com - Associação Empresarial do Concelho de Óbidos, em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional Oeste Norte, contou com um painel de oradores, composto pelo diretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), Paulo Almeida, diretor da Escola de Hotelaria e de Turismo do Oeste (EHTO), Daniel Pinto, diretor da Escola Profissional da Nazaré (EPN), Paulo Sousa, e ainda pela diretora do Centro de Emprego de Caldas da Rainha, Célia Roque. A iniciativa foi moderada por João Carlos Costa. Alguns empresários expressaram a grande dificuldade em contratar colaboradores, pois têm custos muito elevados, sendo difícil pagar ordenados acima do ordenado mínimo nacional. Contudo, os oradores afirmaram o contrário, explicando que um colaborador qualificado e dotado de boa capacidade de trabalho, custa dinheiro mas também produz e eleva a empresa. Segundo a diretora do Centro de Emprego de Caldas da Rainha, encontramo-nos num “novo patamar”, que passa pela crescente exigência da qualificação dos trabalhadores. “Aqui na região perspetiva-se uma série de desenvolvimentos ao nível de investimentos turísticos, e se não houver uma aposta na qualificação das pessoas, de facto nós temos alguma dificuldade em ir mais a frente”, explicou Célia Roque. Para que uma empresa possa crescer, desenvolver e cativar, a diretora do Centro de Emprego das Caldas da Rainha afirma que é “precisa de ter um quadro de pessoas estável, motivado e reconhecido”, não só ao nível do salário mas também noutras questões. Da mesma opinião partilhou o diretor da ESTM, que explicou que “todos os anos colocamos mais de 1000 alunos a estagiar”, sendo que mais de 30% vão para fora de Portugal. A formação e preparação de um aluno para o mercado de trabalho, segundo o responsável, pode “ajudar muito as empresas a descobrir novos serviços e produtos, bem como receber e falar com os turistas, criando uma espécie de fidelização com os clientes”. Como tal, salientou que “valorizar as pessoas é cada vez mais importante e o salário tem de dar resposta a isso”. Todos os anos a escola não consegue colocar alunos a estagiar nas unidades hoteleiras da região, por “duas razões essenciais”. A primeira deve-se ao facto de 90% dos alunos serem de fora da região, sendo obrigados a pagar alojamento, “sem serem compensados por isso”. “Não é fácil por vezes conseguir tê-los a estagiar a custo zero na região, quando têm ofertas fora da região que cobrem esses custos”, frisou Paulo Almeida. A outra razão é que a maioria opta por ir para outros locais, porque “mais de metade são convidados a ficar lá para trabalhar”. Como tal, afirmou que “a formação é fundamental para a imagem da instituição e ter um excelente serviço, e isso tem de ser valorizado a todos os níveis”. Já o diretor da EHTO frisou que “todos os anos colocamos em estágio entre 100 a 120 alunos das diversas áreas, cozinha, pastelaria, turismo, receção e atendimento, e eu tenho feito um esforço para que a escola possa alavancar a região e ajudar os nossos empresários”. De acordo com os dados divulgados pelo responsável, cerca de 90% dos alunos após terminarem o curso encontram-se em atividade, sendo que 75% estão a trabalhar no setor e 14% prosseguem estudos para o ensino superior. Também 86% dos alunos encontram uma colocação no mercado de trabalho em menos de 3 meses, 19% estão colocados nas empresas onde realizaram os estágios e 12% alunos estão a trabalhar fora do país. Como tal, o diretor da EHTO sublinhou que a dificuldade em contratar pessoas na área deve-se ao “valor que as empresas estão disponíveis pagar pelo trabalho desenvolvido pelos alunos”, em que 43% desses alunos que encontram a trabalhar no país tem uma renumeração mensal entre os 550 aos 750€. Apenas 18% encontram-se com uma remuneração superior, entre os 760€ e os 1000€. Para Daniel Pinto “é preciso um maior esforço de todos os atores do sistema para que as profissões e remunerações possam ser valorizadas”. Para terminar, o diretor da EPN disse que existem “dois aspetos a melhorar” - a qualificação dos recursos humanos e o rendimento dos trabalhadores no turismo. Para elaborar o seu discurso fez uma pesquisa pelo site do IEFP, onde constatou que a “esmagadora maioria das ofertas não considera como valor relevante a qualificação profissional” e que “as condições oferecidas têm como remuneração o salário mínimo nacional. É uma questão que nos coloca a pensar”. “Nós investimos na formação destas pessoas e depois exportamo-las, a custo zero, para outros países, onde as condições de vida são melhores”, sustentou. De acordo com Paulo Sousa, “temos de estar atentos a este binómio, que é a qualificação e as condições que damos aos trabalhadores”. Caso contrário, a procura por parte dos jovens por este tipo de cursos pode “começar a reduzir-se, fugindo deste tipo de formações”.
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