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Pai e madrasta da Valentina contam versões contraditórias em tribunal

O pai e a madrasta de Valentina, acusados de matar a menina de nove anos, em maio do ano passado, na habitação do casal onde ela estava a viver, em Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche, apresentaram versões contraditórias, no início do julgamento, em Leiria, a 17 de fevereiro.

25-02-2021 |

Valentina tinha nove anos
Valentina tinha nove anos
Sandro Bernardo, de 33 anos, e Márcia Bernardo, de 39 anos, que respondem pelos crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver, em co-autoria, e de abuso e simulação de sinais de perigo, para além do pai da criança estar ainda acusado de um crime de violência doméstica, prestaram depoimento e cada um contou uma história diferente do que se passou no dia 6 de maio de 2020, quando Valentina foi morta.
Segundo a agência Lusa, ao coletivo de juízes o pai negou ter sido ele a colocar a menina na banheira e a mandar-lhe água a ferver.
"Estava a dormir e acordei com os gritos da Valentina. Fui à casa de banho e vi a menina inanimada e a desfalecer. Tirei-a e levei-a para a cozinha, colocando-a por baixo de uma claraboia para apanhar ar", contou.
O pai referiu ainda que lhe bateu apenas por uma ocasião: quando a confrontou com os alegados contactos sexuais que lhe tinham contado. "Dei-lhe umas palmadas no rabo."
No entanto, garantiu que não voltou a bater na filha e acusou a mulher de ter "dado murros" e "apertado o pescoço" à criança.
O arguido disse ainda que não pediu ajuda "por respeito" à mulher. "Ela começou a dizer coisas e a encher-me a cabeça", acrescentou, não dando mais explicações.
Confirmou ainda que depois de se aperceber da morte da filha foi ele que escolheu o local para esconder o cadáver, mas a ideia de simular o desaparecimento de Valentina foi da arguida.
O pai acabou por confessar à polícia onde tinha escondido o corpo, "por pressão" e por "não aguentar mais".

“Mandou-me calar e disse que a filha era dele”

Por seu lado, a madrasta acusou o pai de ter sido o autor de todas as agressões que levaram à morte da criança.
"Ele confrontou a menina [sobre alegados contactos sexuais de que seria alvo] e ela confirmou. Bateu-lhe e eu disse para parar porque não era assim que se resolviam as coisas. A menina era pequena e tínhamos de lhe explicar. Mandou-me calar e disse que a filha era dele", relatou.
De acordo com Márcia, o seu marido "bateu muitas vezes e com muita força" na criança.
A mulher disse que foi o pai que levou a menina para a banheira e lhe apontou o chuveiro para os pés com água a ferver.
"Estava a dar o leite à minha bebé e tentei impedi-lo várias vezes, mas ele empurrava-me. Tentei sempre proteger a Valentina e ele insistia que ele é que era o pai e tinha de lhe dar educação", acrescentou.
Quando viu a menina a "desfalecer" fechou a torneira e avisou que a tinham de retirar da banheira. "Estava com os olhos abertos, mas não respondia."
Quando o seu filho mais velho se deparou com a situação, a arguida afirmou ter sido o companheiro a mandá-lo para o quarto "se quisesse continuar a ver as irmãs e a mãe".
A mulher revelou ainda que não pediu ajuda "por medo", porque ele a ameaçou e aos filhos.
A arguida disse que foi o filho que ligou para o arguido a alertar que Valentina estava a "espumar da boca", quando o casal se tinha ausentado para ir à farmácia.
"Insisti sempre para pedir ajuda e dizer que tinha sido um acidente, mas ele só dizia que não queria ir preso e que não ia deixar de ver as filhas", reforçou.
A mulher admitiu que conduziu o carro até ao pinhal para esconderem o corpo e combinaram no dia seguinte alertar as autoridades do desaparecimento da criança.

Deixaram a criança a agonizar

De acordo com a acusação, o progenitor, natural de Caldas das Rainha, confrontou Valentina com a "circunstância de ter chegado ao seu conhecimento que a mesma tinha mantido contactos de cariz sexual com colegas da escola".
Na presença da companheira, natural de Peniche, ameaçou Valentina com uma colher de pau, que depois terá usado para lhe bater.
Já inanimada, a criança permaneceu deitada no sofá, sem que os arguidos pedissem socorro, adianta o Ministério Público, explicando que o filho mais velho da arguida apercebeu-se da situação, mas foi mandado para o quarto.
O casal escondeu o corpo da Valentina numa zona florestal, na Serra d'El Rei, no limite do concelho de Peniche, e combinou, no dia seguinte, alertar as autoridades para o "falso desaparecimento" da criança.
Para o Ministério Público, pai e madrasta deixaram Valentina "a agonizar, na presença dos outros menores [as duas filhos em comum do casal e o filho de Márcia], indiferentes ao sofrimento intenso da mesma", não havendo dúvidas de que a madrasta colaborou na atuação do pai sem promover o socorro à menor ou impedindo as agressões.

Mãe diz que Valentina “nunca se queixou”

A mãe de Valentina foi ouvida no tribunal. Questionada sobre se falava com a filha diretamente, na primeira audiência do julgamento respondeu que não, porque "Valentina não gostava de falar ao telefone".
Sónia Fonseca declarou no tribunal de Leiria que a filha mostrava alegria sempre que estava com o progenitor e nunca referiu qualquer agressão.
"Quando passou a ir todos os fins de semana a casa do pai vinha contente. Dizia que era o pai e que agora tinha duas mães. Dizia que a Márcia [madrasta] não fazia distinção entre ela e os irmãos. A Valentina nunca se queixou de qualquer comportamento da Márcia ou do pai", relatou.
Durante o confinamento devido à pandemia da Covid-19, em março, Valentina passou a residir na casa do pai.
"A ideia foi minha. Eu estava a trabalhar e em contacto com pessoas também não era saudável para a minha filha andar com ela para trás e para a frente", disse.
"Mandava mensagens à Márcia todas as semanas, às vezes, duas a três vezes por semana", relatou, sublinhando que no Dia da Mãe a arguida lhe ligou para falar com a Valentina e foi a última vez que ouviu a voz da filha. "Estava muito alegre e feliz. As últimas palavras foram: 'Está bem mãe, és uma chata, gosto muito de ti".
A mãe garantiu também que nunca ninguém lhe referiu suspeitas de abuso sexual ou de contactos sexuais.
O meio-irmão de Valentina, filho de Márcia, com treze anos, tinha testemunhado anteriormente, tendo relatado que como o seu quarto é perto da casa de banho conseguiu ouvir tudo. Contou que acordou com Valentina a gritar e ouviu estalos. Sandro “ligou a água a ferver. A minha mãe chorava a dizer para ele parar quieto” e quando Valentina caiu na banheira “a minha mãe disse para chamar o INEM e ele disse não, que a filha era dele”.
O menino adiantou que o Sandro disse à sua mãe: “Se disseres alguma coisa a alguém, vais ficar sem as meninas”.
O julgamento prossegue a 24 de março, pelas 14h00, na Batalha.
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