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Caldas / Sociedade
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CCC acolheu primeiro encontro dos seis grandes hospitais portugueses

“O Centro Hospitalar do Oeste necessita de um pacote de investimento, porque está fora daquilo que é o nível médio português”

Cerca de 80 pessoas, entre convidados e os decisores dos seis maiores hospitais portugueses (Porto, Lisboa Central, Lisboa Norte, Lisboa Ocidental, São João, Universitário de Coimbra), acompanhados pelos membros dos Conselhos de Administração estiveram, no passado dia 19, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, onde debateram e repensaram os desafios, melhorias e ajustamentos na saúde.

26-09-2018 | Marlene Sousa

Carlos Tomás, presidente da Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde, é natural das Caldas
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Carlos Tomás, presidente da Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde, é natural das Caldas
A cidade das Caldas da Rainha acolheu o primeiro encontro dos Grandes Hospitais, organizado pela Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde (Apegsaúde).
Ainda que o evento não se relacionasse com o Centro Hospitalar do Oeste (CHO), a sessão contou com alguns convidados como Ana Harfouche, presidente do Conselho de Administração do CHO (que brevemente será substituída por Elsa Banza), vereadores e deputados municipais das Caldas.
O anfitrião do encontro foi o presidente da autarquia, Tinta Ferreira, que falou da cedência do Hospital e património termal para a Câmara.
Em declarações à imprensa, o presidente da Apegsaúde, Carlos Tomás, disse que decidiram organizar o evento nas Caldas porque foi um desafio que o presidente do Município “agarrou com muita alma e nos facilitou este magnífico CCC, que tem condições excecionais”.
“O mundo está em permanente mudança e estes hospitais portugueses estão a sofrer as consequências dessas mudanças e têm a necessidade de trocar impressões uns com os outros e saber o que é que uns andam a fazer e o que pensam”, salientou, acrescentando que “os hospitais aqui reunidos têm cerca de três mil milhões de euros por ano de orçamento para a saúde”.
Este responsável considera que um dos grandes problemas destes hospitais é a falta de recursos humanos, nomeadamente, assistentes operacionais. O responsável revelou que o presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra referiu o facto de quererem aumentar o número de cirurgias, “mas a limitação em contratação de assistentes operacionais condiciona o funcionamento de alguns blocos cirúrgicos”.

Hospital das Caldas tem que ser repensado

O presidente da Apegsaúde é natural das Caldas da Rainha, mas desde os seus quinze anos que foi viver para Lisboa. Hoje reside entre Madrid e Cascais. Questionado sobre os desafios do CHO, como caldense lamentou que a assistência hospitalar das Caldas “não seja melhor”. “Passados estes anos todos, não houve uma avaliação efetiva do que se perdeu ou ganhou, também o perfil regional tem vindo a alterar e portanto era altura de repensar o posicionamento da rede hospitalar das Caldas”, apontou, acrescentando que “era fundamental refletir sobre como esta região podia melhorar a assistência sanitária”.
Para Carlos Tomás, mais importante que discutir a necessidade de haver um hospital novo é “repensar que tipo de hospital devíamos ter nas Caldas”.
Segundo este responsável, a tendência no mundo é para haver menos hospitais, e aquilo que deveria ser debatido, é “exatamente que tipo de hospital devíamos ter nas Caldas, de acordo com aquilo que é a evolução provável e de acordo com as suas necessidades”.
Quando à passagem do CHO para entidade pública empresarial (EPE), o presidente da Apegsaúde disse que este modelo pode vir a ter vantagens do ponto de vista de liberdade contratual e negociação, mas o orçamento que é substituído por um contrato de programa, “devia de ser acompanhado pelas entidades locais”. Carlos Tomás considera que a comunidade local devia de acompanhar “muito de perto e ter a sua palavra na negociação desse pacote financeiro para a saúde porque se não intervir pode acontecer que a dotação baixe ainda mais”.
“O CHO necessita de um pacote de investimento, porque neste momento começa a “estar fora daquilo que é o nível médio português”, salientou.
A sessão contou um debate sobre a escala dos hospitais versus a sua complexidade. Os problemas de gestão e dos recursos humanos também foram debatidos.
“Tendências Internacionais” foi o tema de um dos painéis, que teve como orador José Soto, diretor gerente do Hospital Clínico San Carlos e presidente da Organização Espanhola de Hospitais e Serviços. Este responsável falou da inteligência artificial. Deu o exemplo do robô Da Vinci, que introduziram há cerca de dez anos no hospital de Espanha a fazer operações. “Eles supunham que esse robô duraria quinze anos, mas depois de cinco anos estava obsoleto”, referiu Carlos Tomás, acrescentando que “estão a fazer o upgrade desses robôs porque há uma necessidade muito grande da inteligência artificial, que vai evoluir muito a forma como os médicos praticam a medicina e que vai implicar recursos muito grandes nessa área”.
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