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Treze moinhos em processo de classificação a património nacional

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) iniciou o processo de classificação dos moinhos de vento da região Oeste a património nacional, segundo o anúncio de abertura de procedimento publicado na passada sexta-feira no Diário da República.

12-02-2020 |

Moinhos de vento no cimo de colinas são uma marca da paisagem da região
Moinhos de vento no cimo de colinas são uma marca da paisagem da região

A DGPC abriu procedimento de classificação para treze moinhos do concelho do Cadaval, os primeiros deste processo, afirmou à agência Lusa o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCim), Paulo Simões.

Os doze municípios e a OesteCim estão a submeter à DGPC a candidatura dos moinhos situados em cada concelho, enquanto fazem o levantamento dos existentes e elaboram uma estratégia para a sua valorização, acrescentou.

A decisão de candidatar os moinhos a património nacional já foi tomada pela OesteCim em 2016, depois do repto lançado por Fátima Nunes, descendente de uma família de moleiros, proprietária de um moinho ainda em funcionamento, que pretende “manter vivo este património”.

Nesta área, é no Oeste onde se concentram mais moinhos, devido às caraterísticas da própria região: o vento e as suas colinas levaram os moleiros a construir moinhos.

O avistamento dos tradicionais moinhos de vento no cimo de colinas é uma marca distintiva da paisagem da região Oeste.

Se, por um lado, os moinhos desempenharam um importante papel no dia-a-dia ao garantir o abastecimento de farinhas para o fabrico do pão, por outro os moleiros tornaram-se grandes engenheiros na construção de moinhos e surgiram à sua volta tradições, sobretudo orais e ligadas à etnografia da região.

Com a Revolução Industrial e a chegada da moagem e da panificação industriais, os moleiros deixaram de conseguir competir com a indústria e foram aos poucos abandonando a atividade e, por conseguinte, os moinhos.

Para Fátima Nunes, não só há o “perigo” de se perder este património, como também a paisagem, com o crescimento urbanístico e até a transformação de alguns deles em alojamentos rurais. “Mais do que a conservação de paredes, madeiras, pedras, cordas e panos, é preciso preservar o “saber fazer”, a técnica, lendas e tradições”, alerta.

Hoje ainda existem moinhos, moleiros e famílias que mantêm a tradição de cozer pão caseiro em forno de lenha com farinha do moinho, por isso, com a candidatura procura-se preservar este património, criando financiamento para a recuperação de moinhos e legislação que valorize estas estruturas, para dinamizar a região, relançar a economia regional e atrair investimento.

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