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Opinião
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Aos moderados

A vandalização de estátuas e, em especial, a segunda pichagem do grupo escultórico que homenageia o Padre António Vieira, talvez por a sua estética fazer acordar o fantasma salazarista e, até, da pedofilia, apesar de concebido em 2017, fez surgir nos nossos media uma frente de opinantes que se assume como moderada.

29-06-2020 | Francisco Martins da Silva

Francisco Martins da Silva
Francisco Martins da Silva
Estes moderados não têm sido nada comedidos a apelidar de ignorantes e imbecis quem deles discorde.
Através da presença televisiva e da fotografia que agora é regra acompanhar a assinatura dos artigos de opinião, é fácil verificar que todos estes moderados têm idade para terem frequentado a escola primária da palmatória e das orelhas de burro do salazarismo, quer de cima do estrado e de ponteiro na mão quer sentados nas carteiras.
Para eles, a “gesta” da expansão marítima portuguesa será sempre a que deu novos mundos ao mundo e dilatou a fé. Não querendo dar por perdidas as palmatoadas que lhes gravaram na memória os mitos salazaristas, resistem a dar-se ao trabalho de pesquisar sobre factos que os desiludiriam e poriam em causa muitos dos seus comportamentos. São radicais na opinião moderada, na esperança de que a vaga anti-racista passe sem lhes beliscar a memória afectiva.
Da lendária Escola de Sagres às datas das “descobertas” e aos objectivos, não faltam fontes honestas, de antes e depois do Salazarismo, para desmontar facilmente os seus mitos. É justo, por exemplo, dizer que o Infante D. Henrique deu novos mundo ao mundo? A que mundo? Ao mundo dos escravos, certamente que deu novos mundos, ao inaugurar em Lagos o comércio de escravos na Europa.
Sobre este tema, leia-se a horrorizada Crónica da Guiné, de Gomes Eanes de Azurara, demonstração cabal de que a mentalidade da época como atenuante não colhe quanto à escravatura.
Já no que concerne à “dilatação” da fé, desde Pio II, contemporâneo do Infante D. Henrique, que a igreja condena a escravatura. O infame negócio dos escravos era demasiado chorudo e havia que o justificar com finalidades piedosas. Ainda no século XX, para legitimar o apartheid, ensinava-se às crianças que é vontade de Deus não misturar brancos e negros, tal como não se misturam abelhas e moscas, hipopótamos e elefantes ou hienas e leões.
Hoje, continua a ser este o quadro mental de muitos.
Sim, a História deve ser olhada com a objectividade, a ética e a moral do nosso tempo, não para a reescrever, mas para podermos tirar dela lições que dignifiquem as vítimas e nos façam progredir.
A riqueza dos países europeus assentou em boa parte na exploração dos escravos como bestas de carga. Os escravos e o colonialismo foram importante força motriz do desenvolvimento ocidental, do século XV a meados do século XX. Não se pode ser moderado a reconhecê-lo.
Os gregos da Antiguidade Clássica foram hegemónicos sem terem recorrido ao domínio político-militar. A sua superioridade era civilizacional, vinha da democracia, da filosofia, da arte e do ócio. Tornaram-se culturalmente dominantes em toda a bacia do Mediterrâneo, Europa do Sul, Norte de África e Próximo Oriente, através da navegação e do comércio pacíficos. Tivéssemos sabido fazer outro tanto e as nossas estátuas seriam hoje veneradas sem reservas.
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