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Opinião
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Saúde Mental

18-11-2009 |

A doença de Alzheimer e a Família

Desde o século passado, a um ritmo galopante, a demência tem vindo a revelar-se um grave problema de saúde pública. Em 2050 prevê-se que alastre a 32% da população, devido ao aumento da longevidade, aos estilos de vida stressantes mas sedentários e à pioria dos hábitos alimentares.

A doença de Alzheimer é caracterizada por uma deterioração global do funcionamento cognitivo. A função mais afectada é a memória, faculdade mais complexa e básica do homem, razão da sua existência enquanto tal. Para além disso, condiciona a linguagem, a capacidade de planear e realizar movimentos voluntários e até o reconhecimento. O doente fecha-se ao mundo, deixando de se reconhecer a si próprio.

A perda da memória e das capacidades cognitivas é mais do que a incapacidade de reter informação pois as consequências alastram em várias áreas, atingindo a integridade da pessoa, tanto nas suas funções como no significado do défice para o sujeito, põe em causa a própria identidade, o profundo do seu ser.

A principal instituição que sofre com este problema é a família que cuida de todos quantos precisam de suporte e cuidados. Cuidar dos idosos é um papel normal de qualquer cidadão embora envolva um grande esforço físico, mental, emocional e económico, que pode ser devastador. Os cuidadores de pessoas com demência estão expostos durante vários anos (3 a 15), a exigências físicas e emocionais elevadas, sendo que daqui resulta uma sobrecarga imensa. O cuidador é aquele que, de forma informal, se entrega, abdicando da sua própria vida, em prol da vida do outro. Parece que esta vida que têm para cuidar é sobreposta à sua própria vida. Daqui resulta o isolamento que tanto incomoda, proporcional ao correr do tempo, ao galopar da doença e à antecipação de um futuro incerto mas certamente difícil.

A demência impõe supervisão constante. Os familiares vão assistindo ao avançar da doença com as consequentes deteriorações cognitivas, emocionais e físicas do familiar, enquanto vão assumindo mais responsabilidade na tomada de decisão e planeamento da vida deste ser que deles depende cada vez mais. Este acto de cuidar causa reacções emocionais ambivalentes no cuidador. Qualquer situação de vida diária pode conduzir a uma mescla de sentimentos extremados: amor/raiva, ternura/rejeição.

É na área da saúde mental que os efeitos de cuidar se fazem sentir de forma mais acentuada. Relativamente à sintomatologia psicológica é frequente depressão, ansiedade e insónia, daí ser fundamental o acompanhamento psicológico, seja em consulta individual ou em grupos de ajuda mútua, para colmatar as necessidades e promover o bem-estar psicológico do cuidador, o que melhorará a qualidade dos cuidados e a satisfação ao doente.

Cuidar custa, cansa mas neste acto sobressai uma vertente algo mística misturada com a transcendentalidade da cultura portuguesa, como que oferecendo o sacrifício para purificação pessoal. Os cuidadores tomam conta dos seus familiares para se sentirem bem consigo mesmos, cumprindo um legado que lhes foi incutido, assim, cientes da importância de fazer o bem ao próximo, os cuidadores privilegiam os ganhos em detrimento das dificuldades.

Sara Carvalho Malhoa

Psicóloga Clínica

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