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Caldas / Cultura
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A Obra de Berquó

08-10-2008 |

A Obra de Berquó
A Obra de Berquó
Sempre me fez impressão a extraordinária obra que D. Rodrigo Berquó fez nas Caldas entre 1888 e 1896, ano da sua morte. Logo que tomou posse, em início de Janeiro, inicia de imediato as grandiosas obras no Parque com a transformação total do mesmo. Dos terrenos de vocação agrícola faz um parque de índole turística, que ele propõe chamar-se Parque D. Carlos I, o que o rei autoriza em Novembro de 1889. Realiza obras no Clube, construindo o Salão de Festas, sala de baile e o céu de vidro, desenha a ilha e o Lago, faz obras de captação de água para abastecimento público, tornando os chafarizes joaninos vastos fornecedores de água; as Caldas tinham na altura quase 5.000 habitantes e ainda no meu tempo se ia buscar água aos poços dos vizinhos; é presidente da Câmara durante um ano e promove a urbanização da Avenida e do Arneiro das Chocas onde já se vinha criando a Praça Nova e onde marcou o terreno necessário ao Teatro Pinheiro Chagas, que estava instalado no Parque, não lhe permitindo o seu desafogo e a abertura do Olival de Baixo em Rua de Camões – a primeira rua solenemente baptizada nas Caldas - e onde faz novas canalizações na Rua Camões; constrói o Matadouro, que a Câmara, já da presidência de Jacinto da Silva Ribas, grande comerciante caldense, aprova; em 1892 as obras do Parque são dadas por concluídas e nesse mesmo ano é o Hospital autorizado a construir um vultuoso empréstimo na Caixa Geral de Depósitos, para obras. Constrói mais um piso no Hospital; um outro na Convalescença e no Palácio Real; desenha o Largo Rainha D. Leonor e as ruas que circundam o Hospital, proibindo a circulação mo Largo; constrói os Pavilhões do Parque destinados ao Hospital D. Carlos I, e o Hospital Santo Isidoro. Morre a 15 de Março de 1896. Sucede-lhe como administrador o Doutor José Filipe de Andrade Rebelo, que no primeiro relatório que faz vasa nele todo o fel que os actos e a personalidade de Berquó lhe provocavam e faz com que as obras do Hospital D. Carlos I parem no argumento de que o que as Caldas precisa é de obras no Hospital Termal e não de um hospital novo. Até hoje lá estão os Pavilhões como ícone das Caldas, inacabados como o Dr. José Filipe quis. Mas, quem foram os operários, altamente qualificados, que aqui trabalharam? – De onde vieram, quantos eram, onde viviam? Um dado pessoal. Meu avô paterno era natural de Mação, perto de Abrantes. Mestre estucador, parece não ter tido na sua terra trabalho qualificado nem rendimento compatível com as suas habilitações profissionais. Foi para o Porto e de lá para as Caldas, onde veio a trabalhar para o Hospital com Rodrigo Berquó. Houve sempre na família a ideia que tinha para cá vindo, resultado do aliciamento que se fazia aos mestres, que seriam líderes de opinião, por natureza. A crise de 1890, que vinha de trás, explicaria isso. A obra gigantesca de Berquó imporia muitas centenas de trabalhadores. Nas Caldas há memoria disso, na Rua da Ilha, denominação típica do Porto para as habitações dos operários e gente humilde ainda hoje existente no Largo da Feira, um quintal comprido com casas baixinhas de um lado e doutro. Pelo menos dois prédios que conheci na Rua da Ilha também eram assim chamados. Corredores compridos e quartos de um lado e doutro. Não há Informações reais de quantos operários aqui trabalhariam. Já vi referências a 2.000 e não me custa muito admitir que sim. Ponderemos o seguinte: os Pavilhões do Parque têm cada pedra afeiçoada cá fora, antes de ser colocada no sítio. Cada uma daquelas pedras tem trabalho de canteiro ou de pedreiro muito hábil antes de ser colocada na parede. Não sei quantas centenas de milhares de pedras tem aquele edifício mas podem multiplicar por horas cada uma. Uma curiosa correspondência de um jornalista espanhol do Blanco e Negro, sobre as Caldas, dizia"Obras, obras, obras, não se dá um passo sem tropeçar numa pedra. O Hospital em obras. A Convalescença em obras, o Clube em Obras, a Cerca em obras, as ruas em obras. Não espero que as Caldas volte a ser o que era, mas ao menos que volte à tranquilidade que perdeu. O que seria aquele espaço, que ainda não era Parque, com os canteiros sentados com uma pedra tosca à sua frente, pelo menos um metro quadrado para cada um, afeiçoando-a de acordo com o desenho do mestre para encaixar perfeitamente e continuar o desenho e o relevo do projecto. Para fazer aquilo em pouco mais de dois anos e meio eram precisas muitas centenas de operários – dos bons! Bom! Mas eles estariam cá à volta de 8 anos – só para as obras do Hospital. – Então e as casas que iam aparecendo pela cidade? Na Praça Velha e na Praça Nova, nas ruas que nasciam das novas urbanizações da Avenida, na Rua Serpa Pinto (hoje Miguel Bombarda) na Rua D. Amélia (hoje da Liberdade), na General Queirós, Capitão Filipe de Sousa, na Rua de Camões, Largo das Águas Quentes, (depois Conde de Fontalva) etc. etc.. E casas muito bem feitas algumas desenhadas pelo mestre de obras do Hospital, vindo do tempo de Berquó, Francisco Matias de Oliveira Santos, que construiu o Teatro Pinheiro Chagas, na nova urbanização da Praça 5 de Outubro, começado em 1897 e inaugurado em 16 de Setembro de 1901. Era uma sala vasta com duas ordens de camarotes, plateia com "fauteils" (como se dizia) superior e geral com 522 lugares, a cinco lugares cada camarote, que podiam ir até 8. Quando o espanhol escreveu "Obras, obras, obras" tinha concerteza razão. Mas continuo na minha. – Onde é que tanta gente morava? E só encontro uma resposta: No Bairro das Águas Santas! Bairro operário por natureza, nele provavelmente, se aninharam as centenas de operários que durante oito anos aqui tiveram trabalho de Verão e de Inverno, pago a horas e sem regateios. A influência da obra e da pessoa de D. Rodrigo Maria Berquó chegou até nós, mas também um eco vago da sua arrogância de "Cantagalo" sem a qual talvez não fosse possível tal obra! Hermínio de Oliveira
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