Login  Recuperar
Password
  24 de Março de 2019
Estão utilizadores online Existem actualmente entidades no directório

Pode fazer o registo (grátis) do seu mail pessoal/ profissional e ter acesso privado, password e serviços personalizados, nos sites e redes sociais dos jornais. Terá uma assinatura digital de Grupo (gratuita), mas personalizada. Pretende registar-se?

Registar-se com o seu email pessoal/ profissional

(aguarde 5)
Siga a nossa página Facebook Siga a nossa página Google Plus Siga-nos no YouTube Siga-nos no Twitter Dispositivos móveis Assine a edição impressa
Escolhas do Editor, Caldas / Política
Imprimir em PDF    Imprimir    Enviar por email   Diminuir fonte   Aumentar fonte

Há cada vez mais divergências políticas quanto ao projeto termal e hoteleiro nas Caldas

As diferentes opiniões dos partidos políticos da cidade quanto ao projeto termal e hoteleiro em curso nas Caldas da Rainha marcaram a última sessão do “21 às 21”, organizada pela Associação MVC-Movimento Viver o Concelho, na União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório. Apesar das divergências quanto ao termalismo, os partidos concordaram relativamente a algumas “mudanças necessárias” quanto ao projeto hoteleiro previsto para os Pavilhões do Parque, como a passagem da entrada principal do hotel para junto da antiga parada militar, bem como a construção de um novo edifício termal.

27-02-2019 | Mariana Martinho

A sessão, que foi moderada por Jorge Mangorrinha, contou com a presença dos representantes partidários do PSD, PS, CDS-PP e CDU
A sessão, que foi moderada por Jorge Mangorrinha, contou com a presença dos representantes partidários do PSD, PS, CDS-PP e CDU

O debate, que tinha como questão “O termalismo nas Caldas da Rainha. Porque é que não estamos todos de acordo?”, decorreu na passada quinta-feira à noite e contou com uma sala cheia de interessados.

Para a sessão foram convidados representantes de cada partido político do concelho, tendo o Bloco de Esquerda optado por não se representar na sessão.

O primeiro a abordar a questão foi José Carlos Faria, da CDU - Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV), que referiu que “o Hospital Termal é a matriz da cidade e essa questão devia continuar a marcar o entendimento sobre o seu funcionamento”.

Na ótica do partido comunista, o “executivo municipal sempre teve uma atitude submissa no que diz respeito ao termal”, em vez de ter “um papel limitativo e de defesa do hospital termal”. Além disso afirmou que a “autarquia entregou-se de mãos atadas a um desígnio que tinha pouco fundamento e que trouxe aspirações de privatização futuras”.

A CDU considera que é “perfeitamente possível uma participação dos privados, desde que funcione de forma superlativa”, ou seja, deveria continuar sob a tutela do Estado central, preferindo que a Câmara encontrasse algum tipo de parceria com o Ministério da Saúde para garantir o funcionamento das termas.

Igualmente apontou que a unicidade termal não está a ser respeitada, dando a entender que “a saúde é um negócio e não propriamente um direito”.

Apesar de “estarmos numa situação de algum impasse”, José Carlos Faria alertou para a “necessidade incontornável” de melhorar o serviço infraestrutural do hospital.

Em relação ao complemento de serviços termais, com aparecimento de spas, o comunista referiu que não tem “nada contra”, apesar de considerar ser “um erro completo subestimar as caraterísticas diferenciadoras destas águas termais”. Contudo, sugeriu que esses serviços pudessem funcionar em paralelo com as termas.

Relativamente à proposta hoteleira para os Pavilhões do Parque, José Carlos Faria referiu que é “preciso fazer alguma coisa, mas não significa fazer uma coisa qualquer”, e “neste momento tudo tem sido feito de forma pouco descortinada e transparente”. Aproveitou ainda para criticar alguns aspetos do projeto, que na sua opinião, apropria-se indevidamente do espaço público para o uso exclusivamente privado, “sem nenhuma contrapartida à comunidade”, bem como a construção de um parque de estacionamento subterrâneo de três pisos, que “põe em risco direto os aquíferos”.

Igualmente referiu que “estamos a chegar a um ponto em que a antiga Casa de Cultura, que nunca teve uma ligação orgânica e funcional aos Pavilhões, será incorporada numa nova ala que vai ser construída de raiz, com uma volumetria excessiva e invasiva, o que vai impedir o contato visual com a faixa do hospital”. Tudo isto, segundo o responsável, “justificava algumas preocupações e transparência, de modo a que as coisas não fossem decididas nas costas das pessoas”.

Além disso apontou para o facto do novo hotel “não servir de apoio ao termal”, pois a maioria das pessoas que recorre a estes serviços terapêuticos, na sua opinião, “não tem condições económicas para usufruir de um hotel de cinco estrelas”.

 

“O termal foi muito bem entregue à Câmara”

 

Já Manuel Isaac, representante do CDS-PP, concordou com a cedência do património termal à autarquia caldense, apesar de discordar com a exploração do hospital termal, o qual se encontra encerrado desde 2013 devido à descoberta de legionella nas suas canalizações, por parte da Câmara Municipal.

Na sua opinião, “tem que ser sempre o privado a gerir o termal, porque a autarquia não tem capacidade financeiramente para explorar umas termas”. Elogiou ainda a capacidade da autarquia em contratar médicos especialistas e restante pessoal de saúde necessário para assegurar o funcionamento das termas.

Relativamente à construção de um novo edifício termal, o centrista referiu que “independentemente disso os utentes querem ser bem servidos e que o equipamento funcione”.

Em relação aos Pavilhões do parque, o centrista sublinhou que “sempre defendemos que o novo hotel devia ser um hotel termal, em que as termas e a unidade hoteleira fossem geridos pelo privado”. Além disso referiu que “não faz sentido que exista um termalismo no hospital, separado do termalismo do hotel, isso não joga”.

A proposta hoteleira apresentada em que “ninguém se pronunciou favorável”, segundo Manuel Isaac, sofreu “algumas alterações”. Nesse sentido, também concorda que a parada seja o melhor sítio para receber a entrada do novo hotel, permitindo ainda a construção do parque subterrâneo, “sem colocar em causa o que fosse”.

 

“Não estamos de acordo com o projeto minimalista”

 

O Partido Socialista também se mostrou “discordante” quanto ao modelo de gestão termal, ao projeto e Pavilhões do Parque, pois consideram “um projeto minimalista”.

De acordo com o representante do Partido Socialista, Luís Patacho, o modelo de gestão que prevê a exploração do património termal por parte da Câmara Municipal, “não é propriamente o modelo que nós preconizamos relativamente a esta matéria”. No seu entender, a gestão deveria ser feita através de uma entidade pública e autónoma, que agregasse no seu seio, por um lado o Ministério da Saúde, e por outro a Câmara Municipal, e uma terceira entidade. Esta, segundo o vereador da autarquia, “deveria ter capacidade para gerir o hospital”.

Esta solução também iria salvaguardar “três questões importantes”, que por sua vez, “este modelo prevê”. Além disso iria permitir que “não tivesse havido esta desqualificação do hospital de um plano nacional para um plano municipal”, salvaguardaria a manutenção da unicidade do património termal, “o que não acontece na solução apresentada pela autarquia”, e por fim, não provocaria “uma grande pressão económico-financeira nas contas da autarquia”. 

Nesse sentido afirmou que não estão de acordo com o “projeto que a maioria PSD tem para as termas”, pois “basicamente a Câmara quer abrir as termas, mas gastando o menos possível”.

Face a isso, o PS defende um “projeto de expansão do termalismo”, que assenta num plano de viabilidade económico-financeira, bem como na construção de um novo edifício termal. Na sua perspetiva apenas mantinham no edifício termal uma parte da atividade hidrogeológica e o resto serviria para visitação. 

Para o partido, o novo edifício deveria ser instalado na parada, de modo a libertar a parte de baixo do parque, junto ao Céu de Vidro, e ainda “para não acontecer o erro que está a existir neste momento com o projeto dos Pavilhões, que é a utilização do Céu de Vidro como entrada para o hospital, fechando a entrada mais próxima do balneário novo”.

Essa proposta de expansão, por sua vez, também agregaria um projeto hidrogeológico e aspetos complementares de apoio para promover o turismo.

Como tal, “seria um projeto global, moderno, arrojado e atrativo”, que permitiria transformar um “hospital termal numa estância termal nova, moderna e competitiva”.

Em relação aos Pavilhões do Parque, sendo o “aspeto em que estamos mais próximos do entendimento da maioria na Câmara”, poderá contribuir para alavancar o nível das termas para um nível superior.

Apesar de concordar com o projeto e com a questão de este “não ser um hotel estritamente termal”, o partido critica alguns aspetos como a construção de três pisos subterrâneos, que “são um disparate”. Além disso discorda com o crescimento de mais um piso na antiga Casa de Cultura, bem como com o alinhamento que previa o crescimento do espaço para dentro do parque.

Igualmente critica a privatização e a ligação aérea do Céu de Vidro ao primeiro pavilhão. Destes cinco aspetos contestados, Luís Patacho sublinhou que “já caíram três”, subsistindo ainda a ligação aérea entre a Casa da Cultura e o primeiro pavilhão.

 

Autarquia está “a caminhar para reabrir o termal o mais rápido possível”

 

Em representação da autarquia esteve João Frade, que esclareceu que “estamos todos de acordo que o património termal tem de ser recuperado e que não podia continuar como estava”. Face a isso, referiu que “a Câmara assumiu este património com todas as dificuldades financeiras e logísticas que este desafio traz”.

Aproveitou para relembrar a posição da autarquia relativamente ao termal, que “nunca esteve parada mas não era a dona do património”. Agora, segundo o representante do PSD, “com esta passagem da tutela ao município podemos fazer a reabertura do hospital”.

Igualmente referiu que “o caminho que atualmente foi decidido teve aprovação da larga maioria dos órgãos eleitos por todos os caldenses, na Assembleia Municipal”.

Em relação aos estudos encomendados pela autarquia, João Frade esclareceu que serviram de base ao concurso dos Pavilhões, e caso não aparecesse ninguém interessado, a autarquia teria de ter um projeto para se guiar”.

Relativamente a algumas críticas apontadas pelos outros partidos políticos ao projeto “Montebelo Bordallo Pinheiro Hotel”, o representante da autarquia esclareceu que “o que interessa é que se vai recuperar o património, numa forma integrada”. Adiantou que o “projeto ainda vai ser alvo de discussão”, de modo a que “tenha uma proposta que proteja os Pavilhões e que dê ao promotor algumas possibilidades de retorno económico”.

Sobre a gestão municipal do termal, perante o chumbo do Tribunal de Contas, o responsável esclareceu que “isso não quer dizer que autarquia não continue à procura de um parceiro para fazer a gestão”. Mas neste momento, “vai caminhar sozinha para reabrir hospital termal o mais rápido possível”.

Em relação à proposta de construção de um novo edifício termal, João Frade salientou que “não se podia avançar e deixar o antigo ao abandono”. Como tal começaram por substituir toda a tubagem termal, “que já está concluída”, bem como requalificar o balneário novo, que “também está praticamente concluída”.

Igualmente disse que “não vai se colocar de parte a construção de um novo edifício, mas é algo que não pode ser feito no imediato”, estando pensado para “a segunda fase do projeto”.

Neste momento, o “objetivo é reabrir o balneário novo, e posteriormente, abrir uma ala do hospital termal”. Contudo, explicou que a “atividade principal não irá funcionar no antigo hospital termal”, mas sim “ numa primeira fase no balneário novo”, onde vão ser instaladas banheiros e equipamento para os tratamentos termais.

 

“Confirmaram-se as divergência partidárias”

 

 

Como moderador foi convidado Jorge Mangorrinha, que sublinhou que à pergunta inicial a “resposta ficou bem clara, em que se confirmaram as divergências partidárias, como seria de esperar”. Face à “abertura por parte do representante da maioria PSD em relação às mudanças necessárias ao projeto hoteleiro”, o moderador espera que essa “mudança funcional se concretize e não seja, apenas, para fazer notícia”.

Sugeriu ainda que se deva seguir “a correção dos erros apontados por todos os oradores”, inclusive a mudança da entrada do hotel. 

Igualmente destacou que a “solução de interiores para o edifício deverá respeitar os extraordinários pés-direitos, e ter atenção aos revestimentos dos corpos novos, porque não devem competir com a força da imagem da pele em pedra dos Pavilhões do Parque, que deve ser predominante no resultado final”.

Presente na plateia esteve o presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, Vítor Marques, que destacou que “todos temos opiniões diferentes, mas convergem na questão de que é preciso fazer alguma coisa, relativamente ao património termal”, por isso, “estamos num caminho de reconstrução”.

Já o antigo presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Fernando Costa, afirmou que “nesta matéria era preciso que estivéssemos unidos e em força para defender o património termal”. Apesar de ter sido contra a cedência do Hospital Termal para a Câmara, “porque esta não tem competências para administrar um hospital, nem meios”, o ex-autarca admitiu que foi a melhor solução, “antes que caíssem”. Igualmente referiu que é contra a transformação dos pavilhões num hotel de cinco estrelas, considerando “um assassinato ao património”, e como tal, apelou aos vereadores para que não deixem avançar aquele projeto da Visabeira.

Por fim, sublinhou que não vê “um futuro promissor para as termas caldenses, neste quadro de valores e entendimento, mas os partidos que se entendam”.

 

Tags:
COMENTÁRIOS
Deverá efectuar Login ou fazer o Registo (Grátis) para poder comentar esta notícia.
pub
Ciência & Tecnologia

A carregar, por favor aguarde.
A Carregar

    Notícias Institucionais

    A carregar, por favor aguarde.
    A Carregar