Festival anual Gil Vicente
Sempre foi uma ambição minha transformar Caldas da Rainha na capital mundial dos Estudos Vicentinos, através da criação de um Centro de Investigação, e, também, de um Festival Anual com o seu nome e dedicado a toda a sua Vida e Obra.
19-01-2018 |
Gil Vicente (1465-1536), o primeiro dramaturgo genuíno de Portugal, é autor de uma Obra Teatral consistente, reconhecida como a grande responsável pela transmutação da Idade Média para o Renascimento, sendo, apontado, inclusive, como o ilustre embaixador da literatura renascentista portuguesa.
Autor já bastante estudado - veja-se o caso das auscultações de Júlio Dantas (1876-1962), Camilo Castelo Branco (1825-1890), Teófilo Braga (1843-1924), Queirós Veloso (1860-1952), Augusto César Pires de Lima (1883-1959), Braamcamp Freire (1849-1921), Clóvis Monteiro (1898-1961), Brito Rebelo (1830-1920), Barreto Feio (1782-1850) e Marcelino Menéndez Pelayo (1856-1912) - teve em D. Leonor de Lencastre (1458-1525) a sua grande protetora e mecenas. E foi graças a ela que a sua Obra, extensa e variada (que abarca a alegoria religiosa, as narrativas bíblicas, as farsas episódicas, os autos descritivos, o auto pastoril, os mistérios de caráter sagrado e devocional e a poesia), obteve grande repercussão e respeito, intactos até à atualidade.
Homem arguto e atento, fiel reprodutor de sua época (o século XVI) deveria, então, ser alvo de uma homenagem permanente, no formato que o poderá sobrepor a muitos mais séculos e, principalmente, permitir o seu resgate histórico, incentivando os mais diversos investigadores a regressarem aos centros de pesquisa primária para conseguirem desmistificar a sua incompleta biografia, bem como, e quem sabe, resgatar os textos de sua autoria, considerados perdidos, mas que devem estar esquecidos em algum Fundo Patrimonial Reservado.
Para compor com brilho e elegância o “Festival anual Gil Vicente” creio que, além dos estudiosos portugueses e brasileiros (Gil Vicente é, também, muito admirado e estudado no Brasil), devem ser convidados os investigadores vicentinos espanhóis, pois foi através de imitações das éclogas dos poetas de Salamanca (Juan del Encina e Lucas Fernández) que Gil Vicente planeou e escreveu as suas primeiras peças.
E quem poderia ser o grande executor de tão relevante Festival? Não vejo, em Caldas da Rainha, outra trupe tão abalizada para assumir essa difícil, porém agradabilíssima, empreitada, do que o Teatro da Rainha. Creio, até, que essa companhia de teatro nem deve aguardar pelo surgimento da “Caixa Preta” (a sua tão sonhada Casa de Espetáculos), devendo, já para 2018, dar início a esse projeto nas dependências de sua Sala Estúdio. O melhor, pelos melhores.
O “Festival anual Gil Vicente” pode vir a ser o evento cultural mais importante de Caldas da Rainha, podendo, inclusive, alavancar, através de um cuidado planeamento de marketing, a economia local.
Rui Calisto
Tags: