Login  Recuperar
Password
  19 de Setembro de 2018
Estão utilizadores online Existem actualmente entidades no directório

Pode fazer o registo (grátis) do seu mail pessoal/ profissional e ter acesso privado, password e serviços personalizados, nos sites e redes sociais dos jornais. Terá uma assinatura digital de Grupo (gratuita), mas personalizada. Pretende registar-se?

Registar-se com o seu email pessoal/ profissional

(aguarde 5)
Siga a nossa página Facebook Siga a nossa página Google Plus Siga-nos no YouTube Siga-nos no Twitter Dispositivos móveis Assine a edição impressa
Escolhas do Editor, Ocorrências
Imprimir em PDF    Imprimir    Enviar por email   Diminuir fonte   Aumentar fonte

Pressão internacional sobre Moçambique

Família sem notícias de empresário do Bombarral raptado em 2016

Um empresário do Bombarral, de 49 anos, está desaparecido desde 29 de julho de 2016, após ter sido raptado na província de Sofala, em Moçambique, onde há mais de 16 anos desenvolvia atividade ligado ao sector agro-pecuário. A esposa tem-se multiplicado em esforços para obter respostas e conseguir a libertação do marido, tendo já apelado à intervenção do Presidente da República de Moçambique, ao Parlamento Europeu e a outras instâncias.

21-02-2018 | Francisco Gomes

Américo Sebastião tem 49 anos
[+] Fotos
Américo Sebastião tem 49 anos
Em 29 de julho de 2016, Américo Sebastião, empresário estabelecido em Moçambique, foi raptado em Nhamapaza, numa bomba de gasolina onde tem a sua empresa agrícola. Trata-se de uma zona complicada de confronto entre a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) e as autoridades moçambicanas. Ambas rejeitaram implicações no caso.
Segundo testemunhas, os autores do rapto foram “agentes fardados que o algemaram e o transportaram numa carrinha”, relatou Salomé Sebastião, a esposa, de 48 anos, que falou a última vez com o marido na véspera do rapto, por telefone, como fazia todos os dias.
Ela e o filho mais velho (na altura com 22 anos) preparavam uma visita a Américo Sebastião e ao filho mais novo (na altura com 19 anos) que também estava em Moçambique, para celebrarem a 4 de agosto 25 anos de casados.
“Estávamos todos muito contentes porque íamos novamente estar juntos”, recordou Salomé Sebastião, que não desconfiava que nada anormal pudesse acontecer.
“Não recebi nenhum pedido de resgate”, revelou. “Acredito que o meu marido está vivo. Sinto isso. Continuo a alimentar a esperança de que ele vai voltar”, vincou, pedindo o “empenho profundo das autoridades” para obter respostas.
Entre “muita dor e mágoa no coração”, desde então todos os esforços levados a cabo para apurar o seu paradeiro têm sido infrutíferos.
Numa carta enviada ao presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, Salomé Sebastião expressou a sua “preocupação quanto à falta de cooperação das autoridades moçambicanas na localização e libertação” de Américo Sebastião.
Em dezembro passado, familiares e amigos reuniram-se em vigília junto à embaixada de Moçambique em Lisboa, apelando às autoridades portuguesas que “se empenhem cada vez mais ativamente na resolução do caso e esperando sensibilizar as autoridades moçambicanas para que investiguem, deixem investigar ou esclareçam onde se encontra Américo Sebastião, permitindo assim que ele seja libertado e possa rapidamente reunir-se à família e amigos”. Nesta iniciativa esteve presente a eurodeputada Ana Gomes, que apoia a causa e que considerou “estranho” a “ausência de notícias por parte das autoridades moçambicanas”.
Há poucos dias, a esposa foi até Bruxelas expor o caso ao Parlamento Europeu e às Nações Unidas, através do Grupo de Trabalho da ONU sobre os Desaparecidos Forçados ou Involuntários. “Espero que façam pressão sobre Moçambique porque o silêncio é inquietante e tortura-me”, declarou.
“As únicas informações que tenho é que prosseguem as investigações que dizem ter iniciado”, adiantou.
Em cartas enviadas para a Assembleia da República de Moçambique, a família do empresário pede aos deputados que deem "o necessário impulso à resolução da situação". O mesmo foi pedido aos deputados portugueses.
As diligências da diplomacia europeia, do Presidente da República português, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da embaixadora de Portugal em Maputo e de outras entidades fizeram finalmente as autoridades moçambicanas quebrarem o silêncio na passada sexta-feira, mas apenas para dizerem que não têm qualquer pista que ajude a explicar o caso, continuando a recusar as ofertas de colaboração da Polícia Judiciária portuguesa.
“Até ao momento o cidadão português não foi localizado, assim como não foi achado qualquer corpo com as suas características”, manifestou o Serviço Nacional de Investigação Criminal.

Ação política, roubo ou inveja comercial?

Segundo o jornal Público, há três hipóteses mais fortes que se colocam. A primeira explora a tese de que o empresário poderia estar a ser incómodo para a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), o partido que está no poder desde a independência, há 43 anos. Isto porque dois meses antes, na região onde Américo Sebastião trabalha, foi descoberta uma vala com cerca de dezena e meia de corpos. De início, as autoridades ignoraram os pedidos de uma investigação rápida e completa e, de seguida, anunciaram que os corpos haviam sido enterrados porque o estado de decomposição tornara impossível a realização de autópsias. O Governo, sujeito à pressão de grupos de direitos humanos e da comunicação social, anunciou que iria exumar os corpos e conduzir uma investigação.
O português, ingenuamente, terá levado jornalistas ao local desconhecendo que tinham essas profissões.
A carrinha dos raptores dentro da qual Américo Sebastião foi metido para nunca mais ser visto seria uma Mahindra cinzenta, da cor e modelo usados pelas forças de segurança moçambicanas, e os raptores estavam fardados com uniformes da Unidade de Intervenção Rápida. Assim, seria uma retaliação com contornos políticos.
A segunda hipótese tem a ver com dinheiro e o aumento de raptos que têm como alvo empresários e pessoas com posses em Moçambique (em dezembro duas portuguesas foram mortas por causa de escassas centenas de euros). No dia do rapto era altura de pagamento dos trabalhadores do mato, dia de comprar a comida para a semana seguinte e dia de abastecer. A carrinha de Américo Sebastião ficou sem as sacas de farinha de milho e peixe seco e o dinheiro dos salários. O cartão de débito de Américo Sebastião foi usado para fazer mais de trinta levantamentos, no total de 160 mil meticais (mais de dois mil euros). Mas o roubo pode ter servido apenas o propósito de encobrir a natureza política do rapto.
A última tese assenta na inveja do seu sucesso comercial e na tentativa de se apoderarem das concessões de exploração da floresta.

Filho de Júlio Sebastião

Américo Sebastião é filho de Júlio Sebastião, o líder histórico dos agricultores da região Oeste que encabeçou em finais dos anos 80 e inícios de 90 do século passado várias concentrações de protesto contra as dificuldades sentidas no setor agrícola, e que era um dos rostos da luta contra as portagens na auto-estrada do Oeste, vindo a falecer tragicamente num acidente de trabalho na sua vacaria, na Delgada, no Bombarral, em 1997, quando foi puxado para o interior de uma máquina que cortava feno para fazer a forragem para o gado.
O filho prosseguiu a vocação agrícola do pai, mas preferiu investir em Moçambique, onde começou por comprar e vender milho e passou pelo negócio do gado até conseguir concessões para vender madeira.
Explora 200 mil hectares de floresta, além de 10 mil hectares de propriedades agrícolas, onde planta caju e tem três mil cabeças de gado.
As suas empresas empregam cerca de 300 pessoas e têm um compromisso solidário com as povoações moçambicanas, onde construíram escolas e outros equipamentos sociais.
Tags:
COMENTÁRIOS
Deverá efectuar Login ou fazer o Registo (Grátis) para poder comentar esta notícia.
pub
Ciência & Tecnologia

A carregar, por favor aguarde.
A Carregar

    Notícias Institucionais

    A carregar, por favor aguarde.
    A Carregar