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Opinião
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Escaparate

Eça de Queiroz

“Tudo o que tenho no saco, Eça e os Maias” é o nome da exposição que a Fundação Calouste Gulbenkian apresenta até ao dia 18 de fevereiro.

04-01-2019 | Rui Calisto

Rui Calisto
Rui Calisto
São sete núcleos que nos apresentam um pouco da vida e da obra de Eça de Queiroz. O mote para essa mostra é a comemoração dos 130 anos do romance “Os Maias”, o distinto volume que é tão-somente o rosto principal do Realismo português.
Naturalmente, uma boa parte da exposição é dedicada ao referido título. Ali estão, por exemplo, reproduções das capas, de “Os Maias”, de diversas edições publicadas nos mais variados países, bem como a representação de uma série pictórica (a afresco), trabalhada “em tons pardos, pomposa e vã”, como descreveu o próprio Eça no ano de 1888.
Manifesto um peculiar agrado para com o núcleo que expõe algum do mobiliário do grande romancista, ficando um certo fascínio, em relação à sua escrivaninha de pé alto - acompanhada do respetivo banco - onde adorava escrever. Encantou-me, também, a cambaia chinesa, que lhe foi oferecida por Bernardo Pinheiro de Melo, primeiro conde de Arnoso, (1855-1911) depois da publicação de “O Mandarim”.
Chamo a atenção do leitor para diversos aspetos, nomeadamente, os quadros de Paula Rego (expostos no núcleo “Norma e Desejo”), inspirados no livro “O Crime do Padre Amaro”; Diversos objetos pessoais de Eça de Queiroz (entre eles o célebre monóculo); Excertos de alguma filmografia, produzida em Portugal e no Brasil, tendo como foco central a obra literária queirosiana; Ilustrações de João Abel Manta, Rui Campos Matos e Bernardo Marques; Postais ilustrados do Cairo e do Canal de Suez; Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro; A pequena, porém expressiva, mesa dos espíritos; A cadeira “de Jacinto”.
Estas são algumas, de entre outras preciosidades, que fazem parte do acervo da Fundação Eça de Queiroz, “uma instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, que tem como objetivo estatutário a perpetuação da memória do escritor…”, sediada na Quinta de Tormes, Baião, Santa Cruz do Douro, e que, felizmente, e em boa hora, acordou com a Fundação Calouste Gulbenkian a realização dessa exposição na Capital portuguesa, para deleite dos ávidos olhos dos, assim como eu, admiradores do notável escritor.
José Maria d’Eça de Queiroz nasceu na Póvoa do Varzim, no dia 25 de novembro de 1845. A sua infância foi em Verdemilho, Aradas, Aveiro, em casa dos avós paternos, Joaquim José de Queiroz e Teodora Joaquina de Almeida. A adolescência foi passada no Porto, entre 1856 e 1861, período em que frequentou o Colégio da Lapa, e onde teve como professor o desmedido Ramalho Ortigão (1836-1915). Naquele ano de 1861 mudou-se para Coimbra, ali frequentando a Universidade, de onde saiu em 1866 formado em Direito. Posteriormente dividiu-se entre Lisboa, Évora e Leiria, porém, foi no ano de 1872 que a sua vida sofreu uma enorme mudança, com o início da sua carreira consular em Havana, nas Antilhas Espanholas (hoje Cuba).
Eça de Queiroz repartiu-se entre o trabalho consular e a intensa e incansável escrita. Neste quesito deixou-nos romances, contos, crónicas, artigos de opinião e uma ampla epistolografia (uma boa parte ficou inacabada ou inédita).
Infelizmente morreu novo, aos 55 anos, às 16:35 horas do dia 16 de agosto de 1900, na sua residência, na Avenue du Roule, em Paris.
O poeta brasileiro Martins Fontes (1884-1937), numa série primorosa de sonetos, enfeixados na conferência “Eça de Queiroz”, escrita, como o título indica, em homenagem ao ingente escritor português, resume-nos com precisão a sua genialidade: “E Satã fez-se um Deus em Eça de Queiroz”!
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