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Cinco professores de Timor estagiaram em escolas da região Oeste

Professores oriundos de Timor-Leste estiveram desde outubro até o passado dia 17 em escolas do Oeste, no âmbito do Projeto de Partilha Pedagógica, financiado pelo governo timorense. Os timorenses integraram uma comitiva de 28 docentes que desenvolveram durante dois meses e meio um processo de formação em gestão escolar, em vários estabelecimentos de ensino do país. Tratou-se de uma troca de experiências com professores timorenses e portugueses, em que o estágio serviu como um treino prático de ensino em língua portuguesa para os docentes de Timor-Leste. A estadia em Portugal tem também como objetivo aprender novos métodos pedagógicos, formas de gestão escolar e de funcionamento interno das escolas. “Um encontro com Timor”, assim se designou a sessão de despedida que a Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto realizou para o professor timorense que acolheu. A cerimónia contou com a presença do linguista timorense Luís Costa, que é parente de João Andrade Costa, professor de português em Timor-Leste. Perante um auditório cheio, os timorenses deram uma verdadeira aula dos costumes e tradições daquele território.

17-12-2013 | Marlene Sousa

O docente timorense João Andrade Costa, a tutora Carla Moura, a diretora do Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto, Luísa Sardo, e o linguista timorense Luís Costa
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O docente timorense João Andrade Costa, a tutora Carla Moura, a diretora do Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto, Luísa Sardo, e o linguista timorense Luís Costa
Durante a cerimónia foram declamados alguns poemas e os alunos surpreenderam os convidados com canções sobre Timor-Leste. A aluna Micaela Correia, do 9º ano, leu um poema que escreveu em homenagem ao professor timorense.
João Andrade Costa disse ao JORNAL DAS CALDAS que adorou a experiência na escola de S. Martinho, destacando a simpatia e dedicação dos docentes portugueses. O docente timorense participou na vida da comunidade escolar do agrupamento de S. Martinho. Nas aulas a que assistiu o que mais o impressionou foi “a forma como os professores ensinam e o contato com as novas tecnologias”, revelando que em Timor há falta de equipamento. Recordou que em Timor não tem manuais para ensinar os alunos. “Preparo os textos à noite e depois de manhã antes de os alunos entrarem na sala escrevo o texto no quadro para eles copiarem e depois iniciamos a lição”, explicou o professor de português. Agora vai levar os conhecimentos obtidos neste estabelecimento de ensino para a escola em timor onde dá aulas.
Segundo o professor timorense, as necessidades da escola onde leciona situam-se ao nível de manuais escolares, recheio das bibliotecas e computadores, tendo apontado como mais-valias do estágio “a aprendizagem ao nível da gestão da administração escolar, de projetos educativos, regulamentos internos e conceitos pedagógicos”. O contato com a língua portuguesa também foi fundamental para João Andrade Costa, porque “falar bem português em Timor é muito importante, sendo o português língua de ensino, pode garantir um melhor emprego”.
Luís Costa, que foi o autor do dicionário de Tétum-Português, revelou que Timor Leste continua com alguns problemas, sobretudo no domínio da língua portuguesa e, por isso, elogiou o elogiou o protocolo entre Timor e Portugal no âmbito do Projeto Partilha Pedagógica, uma vez que é um apoio à divulgação e expansão da língua portuguesa. Segundo Luís Costa, a escolha do português como uma das línguas oficiais em Timor (a outra é o tétum) é a “prova da aposta na língua de Camões, que está firme e sólida e em plena expansão em Timor”. Para Luís Costa também é muito importante os professores e alunos portugueses conhecerem a cultura timorense, que é uma realidade diferente que “não assenta no mundo das novas tecnologias mas nas pessoas e na comunidade”.
Para a diretora do Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto, Luísa Sardo, “foi muito importante esta partilha. Estávamos apreensivos porque é uma cultura muito diferente, mas João Costa Andrade foi de uma simpatia que tocou todas as pessoas da escola com a sua humildade, generosidade e maneira de ser”.
Segundo a presidente da direção, a formação intensiva do docente visou “aprofundar o aperfeiçoamento” da língua portuguesa e “dotá-lo de mecanismos mínimos para que consiga fazer a gestão escolar” em Timor.
Além da formação, levaram o professor timorense a conhecer a região.
Carla Moura, adjunta da direção e professora tutora do docente timorense, revelou que João Andrade Costa desenvolveu na escola um trabalho de redação, onde escreveu e ilustrou os textos “Casa Sagrada – ritual tradicional”, “A cerimónia da Lareira” e “O Dote”, que estão expostos na escola. Segundo esta responsável, “ele faz parte daquela população de faixa etária que não acompanhou o português por causa da invasão indonésia”.
Para Carla Moura, foi um orgulho receber João Andrade Costa, que também lhes ensinou “muita coisa”, nomeadamente “sobre a cultura timorense, onde há muito interesse por parte dos nossos alunos”.

Escolas secundárias Rafael Bordalo Pinheiro e Raul Proença acolheram professores de física

O professor timorense de Física e Matemática, António Soares, de 30 anos, que também dá aulas numa escola em Gleno, fez o estágio na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. Gostou muito de estar nesta cidade e “adorou” a experiência formativa que viveu nesta Escola.
Ao JORNAL DAS CALDAS falou das distintas realidades que existem entre a secundária Rafael Bordalo Pinheiro e a escola onde dá aulas em Timor. “No estabelecimento de ensino em Gleno, as turmas são muito maiores, com cerca de 100 alunos e só temos praticamente um ou dois computadores e não temos acesso à Internet porque é muito dispendioso”, disse o professor, que ganha cerca 200 euros por mês. O que o impressionou mais da escola portuguesa foram os laboratórios, que considera “fundamentais para ensinar a matéria aos alunos”.
O diretor da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, António Veiga, fez um balanço positivo da vinda do professor timorense. Destacou a interação que teve com os alunos. “Apesar do gosto, do querer e da vontade, tem dificuldade em expressar-se em português, mas acho que a experiência foi enriquecedora”, disse o responsável, acrescentando que “António Soares também fez um estágio com a direção da escola e os conhecimentos obtidos vão ser utilizados para a formação no âmbito da gestão escolar em Timor”.
Ricardina Santos da Cruz, professora de Física na cidade de Gleno em Timor, foi recebida na Escola Secundária Raúl Proença.
Para o diretor do Agrupamento de Escolas Raul Proença, José Pimpão, foi “um privilégio” receber a docente timorense de 29 anos. “Apercebemo-nos das realidades diferentes que existem no ensino”, apontou. Segundo o diretor, foi na utilização das novas tecnologias e no ensino das ciências experimentais no laboratório que a docente mais se impressionou. O responsável destacou ainda a importância que Ricardina Santos da Cruz “dá à língua portuguesa”.

Agrupamento de escolas de Cister ofereceu computador

O professor de português Hipólito Sarmento, de 58 anos, foi recebido no Agrupamento de escolas de Cister – Alcobaça. Para o diretor Gaspar Vaz foi uma experiência muito enriquecedora e considera que a escola vai continuar ligada a ele. Acha que este intercâmbio foi muito importante porque deu a conhecer ao docente timorense a dinâmica pedagógica e organizacional de um agrupamento e em simultaneamente forneceu-lhe competências na área da língua portuguesa.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS referiu que as novas tecnologias foi o que o impressionou mais. Daí que o Agrupamento de escolas de Cister – Alcobaça se mobilizou e ofereceu um computador portátil novo para Hipólito Sarmento levar para a sua escola em Timor. Prometeram ainda ao docente timorense que mais tarde enviariam a verba necessária para ele comprar o projetor para o estabelecimento de ensino onde leciona.
O Agrupamento de Escolas do Cadaval também acolheu um professor oriundo de Timor-Leste. João António da Costa é um professor de Física na região de Baucau.

Marlene Sousa
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