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Casa Museu Fernanda Botelho vai nascer na Vermelha - Cadaval

Na freguesia da Vermelha do concelho do Cadaval, onde a escritora Fernanda Botelho (1926-2007) considerada como uma personalidade de relevo no âmbito da cultura literária portuguesa do séc. XX, a moradia onde viveu os últimos 10 anos da sua vida, vai ter o estatuto de Casa-Museu dedicada à escritora. A Associação Gritos da Minha Dança cuja presidente é, Joana Botelho, neta da autora, tem vindo a promover atividades diversas em torno da escritora.

04-09-2019 | Marlene Sousa

Joana Botelho, presidente da Associação Gritos da Minha Dança e neta da autora que residiu no Cadaval
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Joana Botelho, presidente da Associação Gritos da Minha Dança e neta da autora que residiu no Cadaval
Fernanda Botelho, que morreu aos 81 anos, estreou-se na literatura como poetisa, mas distinguiu-se sobretudo como romancista, tendo deixado uma obra extensa que lhe valeu vários prémios ao longo de mais de meio século de carreira.
A proposta é da família de Fernanda Botelho, que criou a “Associação Gritos da Minha Dança” (cujo nome advém do título do livro homónimo publicado em 2003), já com os objetivos de transformar a Casa da Vermelha num “museu vivo”, onde esteja exposto a sua biblioteca privada com 5 mil livros, bem como o seu acervo pessoal e cultural, preservado na casa onde a escritora fixou residência.
O intuito, é que venham a ser desenvolvidas “atividades culturais ligadas à vida e obra da escritora e de outros vultos das letras e das artes”. A realização de exposições e colóquios foram os exemplos apontados por Joana Botelho, neta da escritora, que tem sido uma das grandes impulsionadoras da Associação Gritos da Minha Dança, promovendo atividades diversas em torno da escritora, abrindo já o caminho para o sucesso da futura Casa Museu.
Segundo Joana Botelho, que é arquiteta, o percurso museológico “vai passar pela biblioteca, quarto, sala de jantar e jardim da escritora, com o objetivo de familiarizar os visitantes com aquilo que era a sua vida no mundo rural”, explicou a neta da autora que residiu no Cadaval.
“Queremos que seja uma casa com muita história e com uma relação com a comunidade”, e “esperemos atrair visitantes fora do distrito, porque acima de tudo pretendemos servir como espaço de desenvolvimento cultural e comunitário desta zona”, frisou.
Ficcionista e poetisa, Fernando Botelho fez parte da Comissão de Leitura do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian e colaborou na “Colóquio Revista de Artes e Letras”.
Entre as suas obras estão “A gata e a fábula”, que foi Prémio Camilo Castelo Branco em 1960, “Esta noite sonhei com Brueghel” e “As contadoras de histórias”, com a qual venceu o Grande Prémio do Romance da Associação Portuguesa de Escritores.
Maria Fernanda Botelho nasceu no Porto. A família da sua nora é que era da Vermelha. “Chegou uma altura da vida que estava farta do ruído de Lisboa e quis ir viver e escrever para o campo. Então pediu à minha mãe para poder ir viver para a Vermelha e lá viveu dez anos”, recordou, ao JORNAL DAS CALDAS, a sua neta, revelando que o seu penúltimo livro as “As Contadoras de Histórias” foi escrito integralmente na Vermelha e quem o ler consegue perceber muitíssimas referências que ela tem do quotidiano da localidade”. “Os Gritos da Minha Dança”, seu último livro, editado em 2003 foi também praticamente todo escrito lá”, referiu, a presidente da Associação Gritos da Minha Dança.

Espólio da escritora fica no Cadaval

“A minha avó deixou o espólio todo nessa casa na Vermelha, além da biblioteca, temos todo o acervo documental, que inclui manuscritos, correspondência, recortes de jornais, objetos pessoais como canetas, máquinas fotográficas, os prémios, quadros, entre outros”, contou a arquiteta, acrescentando que “ela tinha um espírito documentalista fortíssimo, então deixou tudo bem documentado em pastas”.
Na altura que a Fernanda Botelho faleceu, a Biblioteca Nacional solicitou aos familiares se gostariam de doar o seu espólio. Segundo a sua neta, “não o doámos porque achamos que na casa na Vermelha podíamos criar mais dinâmica, e em 2011, quando a minha filha mais velha nasceu comecei a dar os primeiros passos neste projeto cultural e foi assim que nasceu a “Associação Gritos da Minha Dança”, explicou, Joana Botelho.
Em 2015 a Associação Gritos da Minha Dança, candidatou-se ao concurso de recuperação, tratamento e organização de acervos documentais da Fundação Calouste em pareceria com o Centro de Estudos Comparatistas – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a Professora Paula Morão e conseguiram o financiamento para a recuperação de todo o acervo documental da escritora. O projeto está quase completo e os todos os documentos estão devidamente inventariados, limpos e tratados, facilitando assim a consulta.
Segundo Joana Botelho, neste momento a moradia na Vermelha funciona como uma casa memória, onde recebemos visitas das escolas, e de outras pessoas, mediante marcação. A neta ainda não tem data prevista para a Casa Museu abrir as portas oficialmente, faltando ainda “acessibilidade museológica, sistemas de segurança, manutenção da casa, entre outros trabalhos com o património móvel que “tem valor monetário bastante acrescido”.

Associação Gritos da Minha Dança dinamiza atividades em torno da escritora

Até chegar ao estatuto Casa Museu Fernanda Botelho, a Associação Gritos da Minha Dança, continua a dinamizar várias atividades culturais ligadas à vida e obra da escritora.
Trata-se de desenvolver a conservação do espólio (operação quase concluída), da participação em ações diversificadas, nomeadamente na Casa da Vermelha (futura casa-museu) e em colaboração com a Rede de Bibliotecas do Oeste e com as Escolas locais. Está em estreita colaboração com o Projeto Textualidades, parte integrante do Grupo Morphe do Centro de Estudos Comparatistas – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – neste conjunto vasto de ações, como exposições, apoio ao Prémio Fernanda Botelho (Município do Cadaval), visitas escolares, entre ouros, a que se junta mais recentemente o ARTIS – Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A Abysmo está a fazer a reedição da obra completa desta escritora portuguesa, com enquadramento crítico.
“A associação vai assim ao encontro da sua missão que pretende contribuir para criar e desenvolver o gosto e hábitos de leitura, facilitar a alfabetização literária e funcional da população, implementar estratégias de ativação do pensamento criativo, favorecer a investigação na área da Literatura Portuguesa contemporânea (pelo estudo da autora em si, e pela importância das relações com outros escritores, documentada na correspondência)”, explicou, Joana Botelho.
“O seu propósito é estabelecer uma participação muito próxima na vida das instituições locais, procurando um contributo ativo para o desenvolvimento sociocultural da região, potenciando para o efeito os recursos endógenos da região”, disse, a neta da escritora.
O exemplo da patrona Fernanda Botelho ao fixar residência na Vermelha, uma pequena povoação do Concelho do Cadaval, “criando uma atmosfera pessoal de cultura, investigação, criação e produção artística e literária, sem com isso retirar à sua existência a interação social que foi apanágio da sua vida, constitui o esteio do projeto que visa potenciar, atualizar e desenvolver o legado da escritora em prol da comunidade a que se acolheu e que dele carece amenizando efeitos da insularidade social-cultural”, referiu Joana Botelho.
O Município do Cadaval tem vindo a apoiar, de forma exemplar, o projeto cultural em torno da obra da escritora, com epicentro na Casa de Fernanda Botelho (futura casa-museu), na Vermelha, acrescentou, a neta da escritora.
Terá lugar, no próximo dia 21 de setembro, na Biblioteca do Cadaval a antestreia do espetáculo de dança contemporânea “Transeuntes”. Este espetáculo é dirigido pelo coreógrafo Juan Maria Seller (Companhia Seller Danza) e inspirado em Gritos da Minha Dança (2003) de FB. A estreia será a 14 de dezembro no CCC do Cartaxo.
A Companhia Seller Danza, encontra-se atualmente, em residência artística no Ateneu Artístico Cartaxense e tem o apoio da Associação Gritos da Minha Dança.
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