Opinião

2ª Semana José Malhôa

O Colégio Rainha D. Leonor recebeu a 2ª Semana José Malhôa. O evento foi apadrinhado pela excelente organização daquela instituição e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Bombarral, Ricardo Fernandes, e da vereadora da Educação das Caldas da Rainha, dra. Maria João Domingos.


Ressalto a brilhante atuação da jovem cantora Mariana Almeida, a interpretar o “Fado Malhôa”, bem como das bailarinas Bárbara Costa, Carina Pinto e Marta Fernandes, que, com o seu talento, fizeram uma grande homenagem ao Pintor de Portugal. A centelha dos artistas mirins também se fez notar através de interpretações pictóricas de algumas das famosas telas do Mestre, que poderão ser visitadas até ao dia 4 de maio.
José Vital Branco Malhôa nasceu no mês de abril, mais exatamente no dia 28, no já longínquo ano de 1855, há, portanto, 164 anos. Caldas da Rainha precisa fazer mais por ele, pela sua memória, pela sua história, pois, não é outra, senão esta, a sua terra natal.
A iniciativa da criação da Semana José Malhôa partiu de mim e da dra. Isabel Alves Pinto. Em 2018, na sua primeira edição, conseguimos cativar inúmeros admiradores do pintor, de norte a sul de Portugal. Para a segunda edição, a deste ano, acrescentamos a participação de escolas, bem como da Universidade de Lisboa, pois, decidimos levar aos estudantes a ideia de “Pensarem Malhôa”. Não é por acaso que o lema, neste 2019, é “José Malhôa: Um legado para as novas gerações”.
Brevemente será lançado um livro, o segundo da minha série de publicações sobre esse eminente artista, que explanará mais uma faceta do homenageado. O primeiro volume, publicado no ano passado, aquando da Abertura da 1ª Semana e intitulado “Malhôa Inédito”, está, felizmente, esgotado.
É necessário retirar José Malhôa do seio da pose bacoca de algumas alminhas caldenses, levando-o para junto da sua comunidade, falando dele para a juventude. José Malhôa é o pintor do povo. Toda a sua obra – apesar de possuir magníficas telas sobre a Monarquia e os figurões de sua época – é muito popular, muito terra, muito portuguesa. Fialho de Almeida (1857-1911) a descreveu muito bem quando disse que “as suas pinturas de género são uma espécie de odisseia rústica nacional”. José Malhôa foi um soberano ao retratar os costumes e os hábitos da ruralidade portuguesa. Um Pintor que possuía a excelência no traço, que bebeu de uma genialidade tão pura, vinda das suas vivências e da sua metódica aplicação aos estudos, tanto caseiros quanto na Real Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde teve como mestres, entre outros, Miguel Ângelo Lupi (1826-1883), Joaquim Nunes Prieto (1833-1907), António Víctor de Figueiredo Bastos (1830-1894), Tomás José da Anunciação (1818-1879) e José Simões de Almeida (1844-1926).
Sinto-me realizado, devido a uma série de fatores, um deles, obviamente, é o modo como tenho sido recebido por todos aqueles que, por este Portugal afora, amam Malhôa.
Considero-me recompensado, também, pelo relevo de todos os eventos programados para a 2ª Semana José Malhôa e, naturalmente, pelo facto de a abertura da mesma ter acontecido nas excelentes instalações do Colégio Rainha D. Leonor. Um estabelecimento escolar que, desde a data em que se instalou na cidade, tem mostrado uma apetência natural para se envolver, com enorme dedicação e mestria, em atividades culturais e artísticas valiosas para a comunidade. Um bem-haja à direção dessa instituição, principalmente às dras. Sandra Santos e Raquel Galeão. E, Viva Malhôa!

Rui Calisto

Author: Dir

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