Peniche

Primeiro-Ministro na homenagem aos presos políticos em Peniche

Um memorial em homenagem aos presos políticos na Fortaleza de Peniche durante a ditadura foi inaugurado pelo Primeiro-Ministro no dia 25 de abril. São 2510 os nomes dos antigos presos gravados no memorial erguido na zona de entrada do monumento.


Entre 1934 e 1974 a fortaleza de Peniche funcionou como cadeia política, onde eram colocados os opositores ao regime fascista.
Momentos difíceis para os presos, que ousaram ir contra a ditadura, e suas famílias, como Henriqueta Tavares, esposa de José Marcelino, antigo preso político. “É um bocado difícil recordar, até porque eu era muito nova e não percebia nada de política e quando o meu marido foi preso tive de aprender a defender-me”, relatou.
José Pedro Soares ali esteve numa cela de 1 de junho de 1973 a 27 de abril de 1974. Foi alvo de torturas, espancamentos e muitos interrogatórios, por pertencer à oposição democrática, ser membro do Partido Comunista Português e lutar contra a guerra colonial.
“Vivemos numa sala pequenina, com as mãos atrás das costas a andar para um lado e para o outro, com pouco espaço, mas agora venho com agrado, por vezes até convidado por escolas, em visitas guiadas com crianças, explico-lhes como era viver na cadeia, o que era o fascismo e o valor da liberdade, porque para muitos hoje é apenas um feriado, pelo que falar desses tempos é bom”, declarou.
Foi para não deixar esquecer o contributo daqueles que lutaram pela liberdade que foi inaugurado pelo Primeiro-Ministro um memorial com os nomes de 2510 presos políticos que estiveram encarcerados na fortaleza de Peniche.
“Este memorial ficará aqui como testemunho e sinal do nosso reconhecimento por todos os que construíram, com sangue, suor e lágrimas, os fundamentos e os alicerces do nosso edifício democrático”, disse António Costa.
“Ao inaugurarmos este memorial e o que ele representa, são os valores, os princípios, as causas e os ideais da liberdade e do 25 de Abril que queremos tornar presentes, renovando-os e atualizando-os”, sublinhou o primeiro-ministro.
“Num mundo cheio de perigos e de ameaças, e numa Europa que tantas vezes arrisca negar-se a si mesma, precisamos, mais do que nunca, de afirmar, fomentar, partilhar, divulgar e disseminar – pedagogicamente, civicamente, militantemente – os grandes princípios e ideais da democracia”, acrescentou.
Na Fortaleza vai ser possível ser vista durante os próximos três meses a exposição “Por Teu Livre Pensamento”, com documentos históricos marcantes.
O futuro Museu Nacional da Resistência e Liberdade, para o qual estão a decorrer obras, deverá estar pronto no final de 2020.
“Vai funcionar como um instrumento de formação democrática para as gerações que nasceram depois do 25 de abril”, sublinhou Domingos Abrantes, antigo preso político.
“Criar um museu nacional dedicado à memória da resistência contra a ditadura e à história do regime do estado novo e das forças que a ele se opuseram e que criaram a democracia em Portugal é um grande acontecimento”, sustentou Fernando Rosas, também antigo preso político
O museu permitirá guardar uma parte da história de Portugal que não se quer deixar esquecida, não só para honrar a luta pela liberdade, mas fundamentalmente para que, no futuro, não se repitam os tempos de ditadura.
No passado sábado, a ministra e a secretária de Estado da Cultura participaram na Fortaleza de Peniche numa sessão cultural com Gisela João, Fernando Tordo, entre outros nomes ligados à música e à poesia.

Author: Jornal


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