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Antigo diretor clínico do CHON questiona sobrelotação do hospital das Caldas

O antigo diretor clínico do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) considera que o hospital das Caldas não tem capacidade para receber mais doentes, com a fusão das unidades do Oeste. No princípio do ano Nuno Santa Clara pediu a demissão e recentemente à margem de uma conferência de imprensa da Ordem dos Médicos sobre a …


O antigo diretor clínico do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) considera que o hospital das Caldas não tem capacidade para receber mais doentes, com a fusão das unidades do Oeste. No princípio do ano Nuno Santa Clara pediu a demissão e recentemente à margem de uma conferência de imprensa da Ordem dos Médicos sobre a reestruturação da saúde no Oeste, comentou pela primeira vez a sua saída, que esteve relacionada com os cortes que iriam pôr em causa o funcionamento de algumas valências hospitalares e a segurança dos doentes. “Eu fui sempre solidário com o conselho de administração de que fiz parte e não tenho nenhuma crítica a fazer. Mas a certa altura fiz uma avaliação da situação e verifiquei que não tinha as condições que achava necessárias para desenvolver o trabalho que queria. Porventura vinham aí tempos em que seria necessário implementar medidas para as quais eu não me sentia suficientemente à vontade para estar associado. Eu achei que não era a pessoa mais adequada para responder às necessidades do CHON”, disse. Questionado se as medidas seriam prejudiciais para os doentes, Nuno Santa Clara disse claramente que “se fossem para melhor não me preocupava”. O ex-diretor clínico do CHON garantiu também que o hospital das Caldas da Rainha não tem capacidade para receber todas as urgências e partos da região Oeste, solução defendida na proposta na reorganização hospitalar do Governo. “É inimaginável que a urgência médico-cirúrgica do CHON, com o espaço físico e os equipamentos de que dispõe atualmente, possa receber doentes da área do futuro Centro Hospitalar do Oeste”, frisou. Para o também membro da Ordem dos Médicos na região, o mesmo problema se coloca em relação à maternidade das Caldas da Rainha. Apesar de defender que uma única maternidade seria suficiente para o número de partos da região, alertou que “é completamente impossível concentrar partos com as estruturas físicas e equipamentos” existentes nas Caldas da Rainha. “Enquanto estive como diretor clínico recebi um telefonema do diretor da maternidade das Caldas a dizer-me o que fazia, porque a próxima grávida iria parir no chão porque não tinha onde a deitar. Houve uma grávida transferida nesse dia para Torres Vedras para ter a criança. Uma maternidade que tem este espaço, como é que encaixa mais 500 partos? É fácil chegar ao papel e junta-se tudo aqui porque Caldas está no meio. Eu pergunto onde se deitam as grávidas? Quais são as dimensões que uma unidade de neonatologia tem de ter para acolher mais 30 por cento de partos? É isto que a Ordem dos Médicos quer ver acautelado. Não queremos que fique tudo como está. Não podemos é transformar administrativamente uma urgência médico cirúrgica de Torres Vedras em básica, fechar a de Peniche, julgar que arranja consultas disto e daquilo em Alcobaça e depois recebermos na urgência médico cirúrgica das Caldas mais doentes do que recebe o hospital de Santa Maria ou mais do que recebe o hospital de São João no Porto”, disse. Dando um exemplo da especialidade de dermatologia, Nuno Santa Clara avisou que com a atual proposta de fusão a lista de espera para consultas de especialidades vai aumentar. “Com a fusão, como é que se pretende que uma especialista dê resposta a uma população de 250 mil pessoas? Só em dermatologia vão já em mais de 700 indivíduos e aumenta muito mais com a fusão. A lista de espera atual é superior a um ano”, alertou. “Com uma fusão deste tipo até será necessário mais médicos do que aqueles que existem. Nós vemos milhares de doentes que não sabemos como vão continuar a ser tratados e como vão poder aceder aos cuidados de saúde”, acrescentou. O ex-diretor clínico esclareceu que embora Peniche e Alcobaça, onde deverão ser criados serviços de atendimento nos centros de saúde, e a futura urgência básica de Torres Vedras possam dar resposta a 80 por cento da população, “Caldas da Rainha teria um aumento de 30 por cento de atendimentos”. Assim, passaria a atender dos atuais 260 para 330 doentes por dia, número que, para o médico, poderão chegar aos 400/dia durante a época balnear. “O hospital de Caldas da Rainha não teria a mínima hipótese de suportar estes números nem na urgência, nem no internamento dos doentes urgentes nos diferentes serviços”, sublinhou, indicando outro problema: “Vai dar origem a um custo de transportes que será muitíssimo significativo”. Carlos Barroso

Author: Jornal

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