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Opinião
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Gravidez na Adolescência, Uma Realidade

22-10-2008 |

Gravidez na Adolescência, Uma Realidade
Gravidez na Adolescência, Uma Realidade
A Adolescência é um período da vida do indivíduo difícil de definir, no qual a pessoa ainda não é reconhecida pela sociedade como adulto mas também já não é considerado uma criança. O amadurecimento sexual do adolescente para além de acontecer rapidamente, ocorre ao mesmo tempo que o amadurecimento emocional e intelectual. Desta forma, começa então o processamento na formação de valores de independência, que por sua vez criam pensamentos e atitudes contraditórios, especialmente quanto a parceiros e profissões. Uma Gravidez na Adolescência provoca alterações na transformação que já vem ocorrendo de forma natural, ou seja, implica um duplo esforço de adaptação interna fisiológica e uma dupla movimentação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente. Actualmente, verifica-se um aumento do número de mães adolescentes, que dão à luz numa altura em que estão a desenvolver algumas capacidades emocionais e cognitivas. Para além, disso estão numa fase de desfrutar novas experiências, dentro da liberdade que existe neste período, próprio para viver diversas circunstâncias e posteriormente entrar na fase adulta. "Tenho dezoito anos e aos dezassete aconteceu-me uma coisa que mudou totalmente a minha vida" (Sónia, 2005) A Gravidez na Adolescência não é apenas um episódio, mas sim um processo de busca. Os testemunhos das adolescentes são surpreendentes: "O plano era perfeito: se tivéssemos um filho, ninguém poderia separar-me do Nico" "Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais" (Sónia, 2005) Adolescentes grávidas, com certeza, sempre existiram, no entanto, nem sempre lhes foi dada a importância necessária. Actualmente, esta situação é de tal modo frequente e preocupante, que é encarada como um problema de extrema importância. A Gravidez na Adolescência é uma realidade cada vez mais presente. A adolescente e o seu filho são particularmente vulneráveis aos riscos inerentes à gravidez e maternidade, devido à especificidade das alterações que ocorrem nesta fase etária. É importante apoiar as mães adolescentes, pois sabe-se que estas ultrapassam dificuldades que são um factor de risco no desenvolvimento biológico, psicológico, físico e cognitivo dos seus filhos. As características próprias da adolescência tornam-na sempre num período de grande vulnerabilidade e crítico que necessita e merece todo o apoio por parte dos profissionais de saúde e família. Se no passado as estratégias de educação sexual focalizavam-se na anatomia e fisiologia do sistema reprodutor, e em ensinar comportamentos típicos da vida familiar, actualmente a educação sexual deve abordar os problemas da sexualidade humana sentidos pelos adolescentes. A Constituição da República Portuguesa prevê o direito à educação sexual como uma das componentes do Direito à educação. A Educação Sexual deve começar em casa, passar pela escola e estender-se aos profissionais de saúde. É primordial uma boa educação sexual, não nos podemos esquecer que a actividade sexual na adolescência vem-se iniciando cada vez mais precocemente, com consequências indesejáveis como o aumento da frequência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) nessa faixa etária, e gravidez que, por sua vez, pode terminar em aborto com todas as consequências a ele inerentes. A escola possui um papel fundamental relacionado com o ensinar o adolescente a conhecer o seu corpo. Os programas de educação sexual, transmitidos pelas escolas, quando a funcionar de modo adequado, poderão vir a desempenhar um papel insubstituível, já que permitem o diálogo e a circulação de informações sobre a sexualidade, sem preconceitos, superando desta forma os tabus. Os programas devem ser alargados aos pais que, na sua maioria, não se encontram preparados para tratar desta questão com os filhos. Por vezes, os adolescentes até partilhariam a sua experiência mas, muitos pais não querem ouvir ou fantasiam ter uma eterna criança em casa. Torna-se importante que os jovens sejam orientados na família, que possam fazer perguntas, aconselharem-se quanto à escolha do melhor método contraceptivo. É importante que falem e sejam ouvidos! Antes de haver gravidez, as consultas de planeamento familiar têm um papel primordial na sua prevenção. Em caso de gravidez a adolescente deve ser encaminhada para as consultas de saúde materna. A nível nacional a adolescente pode recorrer à Associação de Planeamento Familiar (APF), à linha Sexualidade, Educação Sexual, Planeamento Familiar, linha SOS Adolescente e em caso de gravidez tem disponíveis as linhas: SOS Grávida/ Informação e Apoio, Solidariedade à Mulher / Gravidez não Desejada e ainda a linha SOS Amamentação. A Gravidez na Adolescência é sempre uma situação que motiva angústias e incertezas. Contudo, a adolescente demonstra a maior parte das vezes orgulho em ter o filho, pretendendo assim levar a gravidez até ao fim. Esta gravidez pode ser um marco de mudanças quer dos seus comportamentos, quer das suas atitudes. " (…) Mas sou forte, refiz a minha vida e só quero ser feliz com o meu filho". (SÓNIA, 2005) Enfermeira Cândida Mineiro Enfermeiro Carlos Pinto Referências Bibliográficas ALMEIDA, José Miguel Ramos de – Adolescência e Maternidade, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2º edição, págs. 241 a 256, Julho 2003, ISBN: 971-31-0007-X. CANAVARRO, Maria Cristina; PEREIRA, Ana – Gravidez e Maternidade na Adolescência: Perspectivas Teóricas – in " Psicologia da Gravidez e da Maternidade", CANAVARRO, Maria, Colecção Psicologia e Desenvolvimento Nº 2, p. 323-353; Coimbra, Quarteto Editora, Maio 2001, ISBN: 972-8535-77-5. COSTA, Liana Fortunato; JOFFILY, Susana Meira Lopes de Castro – É possível a gravidez na adolescência, Brasil: Portal dos Psicólogos, Disponível na Internet: http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0231.pdf ESTEVES, Ana – Histórias de Mães Adolescentes, Pais & Filhos, Nº 71 (1996), p.34-40. FIGUEIREDO, Bárbara – Maternidade na adolescência: Consequências e trajectórias desenvolvimentais, Análise psicológica 4 (XVIII), Out./Dez.2000, p.485-498. GOMES, Jacinto de Almeida; SOUSA, Susana Daniela Carvalho de – Gravidez na Adolescência, Nursing. N.º 196, 2005, p. 25-27. GONÇALO, Maria Isabel Pinheiro – A Mãe-Menina, Nursing, Nº172 (2002), p.10-15. JUSTO, João, et al (2000) – Gravidez adolescente, maternidade adolescente e bebés adolescentes: causas, consequências, intervenção preventiva e não só, Revista Portuguesa de Psicossomática, vol.2 (2), p. 97-147. PEDRO, Isabel Maria dos Santos Cascão – Gravidez na adolescência – Reflexão, Servir, Vol. 51, n.º3 (2003), p.122-126. PINTO, Helena e outros – Gravidez na Adolescência, Saúde Infantil, Hospital Pediátrico de Coimbra. Nº27/1 (2005), p. 39-49. SÓNIA – Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais. Ragazza. N.º 143 (Setembro 2005), p.
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