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Sociedade
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Médicos deixam hospitais públicos mas voltam para prestar serviços mais caros

24-02-2011 |

Médicos deixam hospitais públicos mas voltam para prestar serviços mais caros
Médicos deixam hospitais públicos mas voltam para prestar serviços mais caros
Muitos médicos dos hospitais públicos estão a aposentar-se e depois voltam a trabalhar no mesmo serviço na forma de prestação de serviços, ganhando muitas vezes o dobro ou triplo daquilo que oneravam. O Hospital das Caldas não é uma excepção neste ‘negócio’, onde os médicos em regime de prestação de serviços ganham entre os 60 a 120 euros por hora, quando um colega do quadro apenas ganha cerca de 20 euros por hora. Esta discrepância de valores está a provocar um enorme desconforto na classe, já que os médicos do quadro têm de dar assistência a esses contratados, porque muitos deles desconhecem como funcionam e quais os procedimentos de gestão dos Hospitais que os contratam. Com isso, quem paga por mais estes atrasos são os doentes que se vão acumulando nas salas de espera e nos corredores, apesar desta medida ter sido implementada para acabar com esta situação. Este caso é mais gritante numa altura de cortes orçamentais e considera-se difícil de contornar, já que a prática está implementada, há falta de médicos e os hospitais não têm outra possibilidade que não esta. No caso do Hospital das Caldas existem situações em que os médicos fazem turnos de oito horas a ganharem cerca de 80 euros por hora e no final saem sem dar qualquer satisfação aos colegas do quadro, ficando altas por dar e transmissão de dados a outros clínicos. Há ainda situações de clínicos que fizeram 72 horas seguidas na altura do Natal e Passagem de Ano a cobrarem 120 euros à hora. Há já quem chame de ‘mercenários da saúde’ a alguns desses médicos nestas circunstâncias, já que procuram prestar serviço no hospital que pague mais pelo seu trabalho. Questionado sobre estas situações, Carlos Sá, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) declara que este “é um problema que o Ministério terá de resolver”, rejeitando porém que existam clínicos a ganharem uma verba próxima dos 120 euros. “Essa é uma questão que tem de ser posta ao Ministério da Saúde, nós limitamo-nos a respeitar a Lei. Não tenho conhecimento de mau estar entre médicos. Nunca pagamos o valor máximo de 120 euros. A questão é o que se pretende dar como prestação de cuidados de saúde à população. É ter médicos que consigam dar resposta às necessidades da população, mesmo que possam custar mais do que aquilo que é razoável pagar ou pretende-se não os ter. Contratá-los ou não em vez de pagar à hora é uma questão que claramente a tutela deve resolver, porque não é exclusiva do CHON. É um problema nacional e está a ser equacionado. Nós temos de cumprir com aquilo que a Lei diz. Temos de garantir que a resposta à população é dada”, disse. O Governador Civil de Leiria, Paiva de Carvalho, está contra o facto de muitos médicos se aposentarem e serem contratados por empresas para desempenharem funções que anteriormente estavam a desempenhar no serviço nacional de saúde e agora custam o dobro do dinheiro. “O médico que sai e se aposenta e depois vai para uma firma de prestação de serviços e vem fazer o mesmo serviço ganhando o dobro, eu sou contra essa ideia. É isso que está a acontecer neste momento. O Ministério não pôde evitar que as pessoas que têm direito à aposentação o fizessem e depois ao irem buscá-los fica mais caro”, referiu. Além dos médicos aposentados existem clínicos que pedem licenças sem vencimento e outros em prestação de serviços que fazem este tipo de trabalhos, ganhando entre os 60 a 120 euros por hora, com turnos mínimos de oito horas diárias. “Eu sou muito crítico desta postura. Quem está a gerir um hospital também deve acautelar este tipo de situações, porque muitas vezes está a contratar médicos que lá estavam, mas que agora lhe custam muito mais dinheiro. É com isto que vivemos infelizmente. Sou defensor do Serviço Nacional de Saúde e estas medidas podem deteriorá-lo. Os médicos não deveriam pensar apenas em cifrões, porque os doentes não merecem”, manifestou. O recém-empossado presidente da Ordem dos Médicos do Oeste, Pedro Coito, vê com “muita apreensão a degradação das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde, com a remuneração tipo a dias de profissionais competentes e dedicados, obrigados a fazerem muitas horas extras para garantir o funcionamento dos serviços de saúde dos portugueses”. A seu lado, apresenta Pedro Coito, “trabalham outros quase sempre menos diferenciados, ao serviço de empresas de prestação de serviços e a cobrar muito mais”. “Muitas vezes o chefe de equipa de urgência é o que aufere menos”, denunciou. “Não compreendemos a existência de vários sistemas e diferentes tipos de tratamento para competências iguais. Assistimos à fuga de profissionais competentes dos nossos hospitais para outros onde lhes são oferecidas remunerações mais atractivas e horários mais vantajosos”, indicou. Para o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Carvalho e Silva, a culpa para esta situação de discrepância de tratamentos e pagamentos foi do anterior Ministro da Saúde, não apresentando para já qualquer proposta que a possa alterar. “Essas questões são da responsabilidade do Ministério da Saúde. Nós podemos chamar à atenção do Ministério para as questões que dizem respeito ao Serviço Nacional de Saúde. A empresalização dos Hospitais veio relegar para segundo plano a qualidade na terapêutica dos doentes e para primeiro plano os números e estatísticas. Infelizmente o Serviço Nacional de Saúde foi desorganizado pelo anterior Ministro da Saúde, dr. Correia de Campos, que introduziu esta novidade na mão de obra de empresas. Isso veio encarecer a prestação de serviços no Serviço Nacional de Saúde, veio desorganizar a estrutura de muitos serviços e urgências, e veio introduzir um factor de comércio na prestação de cuidados médicos que é indesejável”, disse. O bastonário sustentou ainda que “há que pagar melhor a quem trabalha no Serviço Nacional de Saúde””, disse. José Manuel Carvalho e Silva recusa que se diga que os médicos são ‘mercenários da saúde’, responsabilizando o anterior Ministro Correia de Campos, para sublinhar que “não querendo pagar um pouco mais aos médicos, fomentou esta situação. Transmitiu que estava a reduzir as horas extraordinárias dos médicos e acabou por potenciar e estimular a criação de empresas de mão-de-obra médica”. O bastonário declarou que a actual ministra da saúde está sensível a esta situação, mas faltará decisão do Governo para resolvê-la. “Num país que está em crise econômica continuar a pagar ‘x’ aquilo que se pode pagar por metade é má gestão”, vincou. Carlos Barroso
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